Editorial 19/08/25
Precisamos vencer a corrida pelas terras raras?
A corrida pelas terras raras, minerais essenciais para a tecnologia moderna, coloca Poços de Caldas em uma encruzilhada.
A facilidade com que a cidade avança para a exploração, com o aval do governo estadual e municipal, levanta questionamentos urgentes.
O mercado global de terras raras é dominado pela China, que usa esse poder para ditar os rumos da indústria e da geopolítica.
Entregar nossas reservas minerais a mineradoras estrangeiras, sem uma estratégia nacional de controle e beneficiamento, nos coloca em posição de vulnerabilidade.
Neste contexto, as reservas localizadas na caldeira vulcânica de Poços de Caldas ganham ainda mais relevância, sendo avaliadas como uma das maiores e mais promissoras do mundo.
A promessa de empregos e impostos é sedutora, mas a história da mineração no Brasil nos ensina que os custos ambientais e sociais podem superar os benefícios econômicos.
A exploração de terras raras é um processo complexo e comprovadamente arriscado. A extração gera resíduos tóxicos, contaminando solo e água e impactando a saúde da população.
Diante de um recurso tão valioso, por que Poços de Caldas está tão disposta a entregar suas riquezas sem garantias sólidas de que os riscos ambientais e de saúde serão mitigados?
A riqueza está debaixo de nossos pés. É responsabilidade da cidade e do Estado garantir que o processo de exploração seja seguro e que o benefício seja para todos.
Ontem, 18, o prefeito Paulo Ney participou de uma reunião em Belo Horizonte com o governador Romeu Zema, para discutir os avanços dos projetos de exploração de terras raras na região.
O encontro reuniu representantes do Governo do Estado, lideranças empresariais e gestores municipais, com foco nos investimentos das empresas Meteoric Resources e Viridis Mining and Minerals, que atuam na região.
O prefeito declarou que o seu papel é garantir que o desenvolvimento ocorra com responsabilidade. Que o discurso não fique apenas no papel.
Qual é a sua reação?




