Do rascunho à autonomia: Auryana Archanjo detalha os bastidores da literatura independente
Escritora de Poços lançou "Das Vísceras e Outros Âmagos Poéticos" após processo de produção própria
Poços de Caldas (MG) - A transição entre o escrever "despretensioso" e o assumir-se como escritora profissional foi, para a escritora Auryana Archanjo, de Poços de Caldas, um caminho pavimentado por estudo e autonomia.
Em depoimento ao projeto Escrita Criativa, ela detalhou a trajetória que culminou no lançamento de seu livro autoral, "Das Vísceras e Outros Âmagos Poéticos", uma obra de 96 páginas que marca sua consolidação no cenário literário regional após anos de participação em concursos e antologias.
A jornada de Auryana intensificou-se em 2020, quando passou a frequentar oficinas de escrita criativa para aperfeiçoar sua produção poética.
A partir de 2023, expandiu seu repertório para o gênero de contos, acumulando seleções em concursos literários e publicações em revistas especializadas.
O desejo de publicar uma obra solo surgiu naturalmente desse acúmulo de experiências, mas a decisão pelo modelo de publicação exigiu cautela.
A escolha pela independência
Embora tenha chegado a ser selecionada por duas editoras tradicionais, a escritora optou pela autopublicação após analisar os contratos e buscar maior controle sobre sua obra.
"Com a produção independente, você tem autonomia. Você coloca as poesias da forma que quiser, escolhe a capa e quem participa como ilustrador", explica.
Essa liberdade, no entanto, trouxe consigo a responsabilidade técnica. Auryana assumiu funções que costumam ser divididas entre diversos departamentos de uma editora.
Para a identidade visual, ela desenhou a capa e contou com a colaboração de uma amiga para as ilustrações internas.
Na produção editorial, Auryana aprendeu a diagramar o texto, contando apenas com uma revisão profissional final para garantir a qualidade técnica.
Por fim, ela gerenciou a obtenção do ISBN e da ficha catalográfica - esta última realizada com o apoio voluntário de uma bibliotecária.
Desafios logísticos e de mercado
Um dos maiores obstáculos da jornada foi a escolha da gráfica. Sem referências prévias, Auryana realizou um teste comparativo: imprimiu 50 exemplares em duas empresas diferentes para avaliar o acabamento e a qualidade do papel.
Atualmente, o desafio se deslocou da produção para a comercialização. Como autora independente, ela acumula as funções de assessora de imprensa e gestora logística.
"O maior desafio do escritor independente é exatamente a divulgação. Eu mesma encaminho pelo correio, recebo o pagamento e mantenho o controle financeiro", revela.
Para viabilizar o projeto, a escritora utilizou estratégias de financiamento como a pré-venda e a comercialização de fanzines com poesias inéditas.
O retorno, segundo ela, tem sido positivo, com convites para lançamentos em cidades vizinhas e a construção de um fundo de reserva para futuras publicações.
Embora não descarte parcerias com editoras no futuro, Auryana celebra a concretização do livro físico como um marco de resistência cultural e aprendizado.
Para a autora, ter a obra em mãos é um misto de "alegria e alívio" que encerra um ciclo de escrita e inicia a missão de ampliar seu público leitor.
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