Subnotas 12/06/26
Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política
CINEFILIA
Nesta coluna fugirei um pouco dos temas habituais para falar de cinema, mas dentro de um âmbito político. O governo federal lançou semana passada um streaming público chamado Tela Brasil, que é gratuito (óbvio) e acessível pelo Gov. Choveram críticas de bozominions, claro, todos vituperando a desinforma-ção de sempre. Ainda que uma coluna como esta mal se destaque em meio a tanto ruído, é bom pôr os pingos nos is.
BANDO DE BURROS
O discurso padrão da estupidez é que se trata de política de pão e circo, o que é obviamente uma cretinice. Nada disso tem a ver com prefeitura interiorana de extrema-direita contratando artista bolsonarista sem licitação e por cachês milionários enquanto a população não tem necessidade básicas atendidas. Um pouco antes de escrever esta coluna acessei o Tela Brasil e vi que o catálogo uma cu-radoria cuidadosa. Não tem só as obviedades destacadas na propaganda governamental, o que é normal. Dá para garimpar muitas obras pouco conhecidas ali, todas nacionais.
MAIS BURRICE
Outro discurso chavão da cretinice de extrema-direita é que nada é de graça. Não é mesmo, tudo é sustentado por impostos, o que é o cúmulo do óbvio. A questão é que se o dinheiro da arrecadação não for para boas iniciativas como essa pode ir parar na forma de incentivos fiscais ou contratos triliardários para bilionários que não precisam de mais dinheiro. Por sorte não aqui tem um Elon Musk aqui com cargo no governo para matar vários programas de assistência social enquanto assegura para si mesmo contratos governamentais nababescos. E é esse tipo de canalha que a extrema-direita defende.
LIMITES
E na verdade essa iniciativa governamental ainda está dentro da velha lógica do PT dos anos 00 de inclusão pelo consumo. O certo era ter internet e celular de graça pra todo mundo. Quem não tem fica de fora de uma gama considerável de serviços e de toda uma infra-estrutura, como se fosse um sub-cidadão. E muitos dos que têm não possuem bons aparelhos e veem a parca renda em parte corroída por mensalidades para ficarem conectados.
PINGO NO I
Posto isto, destaco que a iniciativa é bem-vinda. Muitos das obras do Tela Brasil estão também na Netflix, Porta Curtas, Brasiliana e outros serviços de audio-visual. A questão é que no Tela Brasil não tem um custo a mais. E não é uma iniciativa inédita, mas sim mais uma que se soma a streamings públicos e arquivos de audiovisual gratuitos já existentes e todos ótimos: o Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira, o Sesc Digital e o SPCine Play. Este último é mantido pela prefeitura de São Paulo, que é comandada… pelo bolsonarista de ocasião Ricardo Nunes. Mas até parece que alguém da turminha vai dizer que o SPCine Play ou o rolo dele com a produtora de Dark Horse é política de pão e circo (embora nesse último caso até seja).
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com
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