Ordem do Dia 11/06/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A proibição da divulgação da pesquisa eleitoral, da AtlasIntel, lembra Alexandre de Moraes. Mas foi obra de Nunes Marques.
Em medida liminar, o atual presidente do TSE proibiu a divulgação da pesquisa, a pedido de Flávio Bolsonaro.
Teria informações falsas, ou fraudulentas, em prejuízo da candidatura de Flávio a presidente.
Esse fato gera curiosa inversão de papéis. Os que outrora acusavam as proibições de Xandão de "censura", hoje apoiam a liminar de Nunes Marques.
E os que apoiavam Xandão, nas suas restrições, hoje acusam Nunes Marques de "censura".
Mudaram os protagonistas - mas mantiveram-se as acusações. Mire e veja, como diria Riobaldo Tatarana...
O envio desse imbróglio ao Plenário do TSE, para apreciação e julgamento dos demais ministros, em nada muda as questões essenciais da espécie.
O pedido de vista, interposto em meio ao julgamento, acrescenta mais elementos à questão.
Que ainda estaria sujeita à apreciação do STF, "engrossando o caldo" ainda mais.
Este colunista, há mais de 35 anos, lida profissionalmente com pesquisas, com diferentes objetivos e tipos.
Desde os tempos em que as pesquisas acadêmicas do DCP (Departamento de Ciência Política) eram processadas nos computadores da UFMG. Através de cartões perfurados, lidos por máquinas que ocupavam salas inteiras, custavam milhões e poucos tinham acesso.
Hoje, o mais modesto celular, de alcance geral, tem uma capacidade de processamento de dados muito maior, que qualquer um desses antigos, caros e enormes computadores.
Mas as pesquisas de intenção de voto continuam as mesmas: estimativas estatísticas, sujeitas a mudanças repentinas, que retratam o dia de ontem, com substancial margem de erro, as quais os matemáticos clássicos não respeitam.
Dizem que estatística não é matemática, na acepção rigorosa do termo. Então, como proibir uma avaliação que valeria tanto quanto uma opinião
Detalhe: a proibição, de uma pesquisa, dificilmente irá alterar as opiniões eventualmente medidas. Só irá escondê-las.
Assim como a pesquisa não altera a realidade, sua proibição também não. Ainda que a pesquisa seja "fajuta".
Há pesquisas "fajutas", de má-fé ou simplesmente erradas. Mas isso depende de provas. Há provas? Eis o busílis.
Enquanto isso, na antiga Bizâncio, discutiam o sexo dos anjos... Donde conclui-se, e alguém já disse: eu penso que nada sei. Mas desconfio de muita coisa...
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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