Ordem do Dia 10/06/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
O Peru, em processo de escolha de um novo presidente, não confia nos resultados das urnas. Não porque sejam "fajutos".
Nos últimos dez anos, o Peru teve 9 presidentes, a maioria sem passar pelo processo eleitoral tradicional.
O que faz das urnas um detalhe. Vivem também, assim como nós, a descelebrada polarização.
Houve tempo, em que tal fenômeno era típico da Bolívia. Os presidentes eram "sazonais" e alguns não duravam uma única estação.
O mandato mais curto deu-se em 1828. O presidente durou seis dias, até ser assassinado.
Além disso, a Bolívia detém o recorde de maior número de presidentes, da América Latina. Estará o Peru em busca de bater esse recorde? Não parece vantajoso...
Tendo a Guerra Fria como pano de fundo, a América Latina, África, Oriente Médio, alguns países da Ásia e Europa, sofreram grande instabilidade política.
Cuja reação veio sob a forma de golpes militares. A granel. Um respeitado cientista político estadunidense, Samuel Huntington, professor em Harvard, fez um estudo de fôlego e propôs uma teoria: a esse fenômeno deu-se o nome de "pretorianismo".
A ostensiva presença militar seria fruto da indigência das instituições políticas. A teoria foi amplamente aceita.
Mas se preferirem uma visão específica do Peru, a resposta talvez seja Mário Vargas Llosa.
Em sua obra "Conversa no Catedral" (um boteco), esse Prêmio Nobel passeia pela história do país e das pessoas - e sobre as formas, pelas quais, todos alcançaram a infelicidade.
Em comum, buscavam realizar sonhos. Que se foram, massacrados pelos fatos. A obra é de perder o fôlego e fica difícil não se identificar.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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