Ordem do Dia 01/06/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A classificação, pelo Trump, das facções criminosas, do Brasil, como "terroristas", trás diversas implicações.
A principal delas seria o fato de existir, em território nacional, organizações criminosas que possam receber tal chancela.
Ainda que não seja tecnicamente correta, do ponto de vista teórico ou conceitual.
Tal procedimento, que também ocorreu em outros países, resultou em bombardeiros, bloqueios e sanções, que atingiram não apenas os supostos "terroristas". Inocentes também foram prejudicados. Eis o busílis.
Há as falas políticas discordantes, como a do senador Rodrigo Pacheco. Tecnicamente, não haveria como discordar.
As organizações terroristas clássicas, como a palestina "Setembro Negro", a italiana "Brigadas Vermelhas", ou a alemã "Baader-Meinhoff", em nada se parecem com as nacionais PCC ou Comando Vermelho.
Não se vê o padrão Al-Quaeda nas supostas organizações terroristas nacionais.
Essa classificação arbitrária, de Donald Trump, seria apenas um artifício para justificar eventuais barbaridades, frente ao público interno norte-americano.
Segundo especialistas no assunto, tais como o promotor de justiça Lincoln Gakya, considerado o maior combatente do crime organizado do Brasil, ou conforme disse o ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, a decisão de Trump favorece os criminosos brasileiros.
A explicação seria simples: as autoridades tupiniquins não mais poderão se valer da cooperação de agências dos EUA, como o FBI (a polícia federal de lá), ou o DEA, uma polícia especializada em combater o tráfico de drogas.
Essas agências não tratam de "terrorismo", por razões legais.
Doravante, os encarregados serão a CIA, uma Agência secreta, que não fala com ninguém, e as forças armadas dos EUA.
Que também não falam, mas bombardeiam sem dó. Será esse nosso destino?
A participação dos Bolsonaro nisso apenas confirma o que foi dito na Ordem do Dia, de ontem: mais uma trapalhada de uma família que só pensa em si mesma. Poisé.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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