A Cor Mais Próxima do Cinza traz vigor do pós-punk em versos existencialistas

Álbum lançado em 2025 transita com fluidez entre subgêneros do rock

Fev 2, 2026 - 19:12
Fev 2, 2026 - 19:13
A Cor Mais Próxima do Cinza traz vigor  do pós-punk em versos existencialistas
Capa do álbum “A Cor Mais Próxima do Cinza”, da banda Naimaculada

É sempre positivo saber que um gênero musical continua firme e ativo, ainda que sua morte tenha sido decretada centenas de vezes - como é o caso do rock.

Portanto, o álbum "A Cor Mais Próxima do Cinza", da banda paulista Naimaculada, lançado em 2025, é um trabalho bem-vindo e diferenciado por conta de uma identidade sonora marcada por guitarras e versos existencialistas. 

Em primeiro lugar, não dá para dissociar o nome do álbum do som apresentado: uma paleta sonora que parece, de fato, explorar o cinza não apenas como uma cor, mas como o ponto de equilíbrio entre a luz e a sombra, o ruído e o silêncio. As letras das canções reforçam essa ideia.

Entre o pós-punk e o rock alternativo
O álbum transita com fluidez pelo pós-punk moderno, mas flerta abertamente com o rock alternativo. A produção prioriza uma atmosfera densa, onde as camadas de sintetizadores e as reverberações de guitarra criam uma "parede de som" que envolve a voz - ora sussurrada, ora gritada em urgência.

É um som urbano, noturno e profundamente introspectivo, criado com maestria pelo quinteto formado por Ricardo Paes (voz), Pietro Benedan (bateria), Luiz Viegas (baixo e voz), Gabriel Gadelha (sopros) e Samuel Xavier (guitarra), e que notadamente se inspira em São Paulo, cidade natal da banda.

A coesão do grupo é o ponto alto do disco. Baixo e bateria trabalham com uma precisão quase mecânica, servindo de base para que as guitarras explorem timbres espaciais.

Os vocais de Ricardo Paes trazem uma carga emocional autêntica, fugindo do óbvio e entregando letras que questionam a apatia contemporânea.

Ao ouvir a Naimaculada, logo se percebem influências de The Cure, Joy Division e do rock oitentista brasileiro.

É uma sonoridade que remete ao retrô, mas é inegável que existe nela algo de novo.

"Luz-Sé", uma faixa com 11 minutos de duração que referencia as estações de metrô de São Paulo, é uma síntese da busca por sentido em meio ao caos metropolitano: "Já não sei mais por onde caminho / Minha vida vai sem direção / E como toda estrada tem espinho / Viver sem perigo não é mais opção". Vale a pena conhecer.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade. E-mail: joaogabrielpcf@gmail.com 

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