Subnotas 08/08/25

Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política

Ago 8, 2025 - 12:24
Subnotas 08/08/25

EXTERMÍNIO
Já pararam para pensar como esse negócio de zumbis é bizarro? Em 1968 o George Romero fez um filme inaugural do gênero, o A Noite dos Mortos Vivos original, que quase nada tem a ver com concepção original de zumbi do folclore haitiano e nem sequer usa a palavra zumbi, mas os fãs usaram e ficou por isso mesmo. Não tem o menor sentido, mas às ve-zes, na verdade quase sempre, isso resulta em obras divertidas, seja na literatura, HQs ou cinema. 

EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO
Já pensaram se tivesse um apocalipse zumbi em Poços? Minha versão favorita seria a do filme Terra dos Mortos, o último do Romero, em que depois que a refeição acaba (os sobreviventes entocam-se numa cidadela fortificada), os zumbis passam a repetir mecanicamente seu dia a dia anterior ou o que mais gostavam de fazer. Se as cenas seguintes não forem críveis, lembrem-se: histórias de zumbi não têm sentido de antemão.

ENÉRGICO
Primeira cena do filme, plano fechado. Na sede do DME, o zumbi Sérgio Azevedo está na cadeira da presidência. Corta para um plano aberto. Na rua, um casal de incautos corre da horda zumbi, animando os que estavam no DME a sair do prédio. O zumbi Sérgio não sai da sua cadeira. Dali ninguém o tira mais. 

SAUDÁVEL
Na Policlínica forma-se uma fila de zumbis. Sempre ficam em filas lá, como faziam antes, todos os dias. Kleber Silva literalmente fura a fila, livrando a cidade de alguns mortos-vivos. Os vivos também mantém seus hábitos, né? 

SATÉLITE 
Como se fosse uma sonda espacial que chega ao ponto Lagrange, o ponto de equilíbrio em que as influências de dois corpos anulam-se, o zumbi Ulisses Guimarães Borges vacila, para trás e para frente, dando de voltar, mas logo virando-se para o outro lado, nunca saindo do ponto exato localizado na metade da distância entre Caldas e Poços de Caldas. 

lGRAN FINALE GRAND GUIGNOL
E quem aparece na cidade, convertido em caçador de zumbis? Ele mesmo, Fernan-do Collor de Mello, querendo bancar o herói, após tantos anos sendo vilão. Ele promete um banho de sangue, com uma faixa na cabeça, como se fosse um Rambo idoso. Inveterado caçador de marajás, vai direto numa sala de repartição pública, mais precisamente (localização e conteúdo censurados pelos meus advogados). Collor trinca os dentes, franze a testa, aperta o gatilho. No último segundo, o estagiário aparece e empurra a metralhadora para o lado. A saraivada de balas atinge a parede. Para o espanto de Collor, o estagiário sussurra: "ele não é zumbi; só não está fazendo nada, como de costume".  
 
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com 

 

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