Ordem do Dia 14/04/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Há quem diga que as atuais pesquisas pouco, ou nada, valem. Considerando que o eleitorado se decide, efetivamente, nas últimas semanas, ou nos últimos dias, da disputa eleitoral.
De certa forma, o raciocínio é correto. Por outro lado, encerra uma perspectiva equivocada. Semelhante àquela ideia que supõe que a pesquisa, de hoje, projeta o voto futuro.
Não seria assim. A pesquisa eleitoral, divulgada hoje, projeta o atual perfil do eleitorado. Não vincula o futuro. Mas dizer que seriam irrelevantes, dado o prazo extenso até as eleições, seria ignorar, ou subestimar, o presente. Eis o busílis.
E o que diz o presente? Segundo a última pesquisa Datafolha, mostra que o eleitorado ignora nomes, biografias, partidos ou propostas.
Sendo insensível a debates desse tipo. Perfilha-se, ao contrário, em sintonia com as suas próprias antipatias - ao invés de se associar a alguma esperança.
Prova disso seria o desempenho do terceiro e quarto colocados, na disputa eleitoral. Juntos, somam menos de 10% das intenções de voto.
Se, hipoteticamente, chegarem ao segundo turno, tornam-se imediatamente competitivos. A intenção de voto, de qualquer um deles, multiplica-se por 10, ultrapassando os 40%.
Isso confirma duas visões: primeiro, que o segundo turno seria um outro tipo de eleição.
E, em segundo lugar, que o crescimento das intenções de voto dos lanternas, num eventual segundo turno, não se deve às suas qualidades. Mas aos defeitos de seu respectivo adversário.
Especialmente quando for Lula esse adversário, já que entre esses quatro postulantes, Lula, Flávio, Caiado e Zema, três se identificam à direita do espectro político.
Ainda que Zema, um espécime politicamente caótico, se define sobretudo pela própria disfuncionalidade.
As pesquisas presentes, além disso, não apenas confirmam a polarização, mas corporificam as duas principais forças políticas, vigentes no Brasil: o antipetismo e o antibolsonarismo.
Aparecem como uma espécie de doença, moral e política, com cada uma dessas vertentes se definindo como a "vacina" contra o outro lado. Como duas "patologias" que se opõe, sendo uma a "cura" da outra. Tosco.
Na verdade, a questão política nacional tem seu principal sintoma na existência de ambas as forças, que formam a polarização. Ambos os lados seriam doentios: petistas e bolsomitas.
E a verdadeira "vacina" contra essa doença, infelizmente, parece ainda não existir no mercado.
A menos que o próximo cozido de paca, de autoria da "chefe" Janja, cause uma indigestão incapacitante, no bom velhinho Lula. Então, tudo pode acontecer.
Por enquanto, continuamos no ritmo determinado pelo Conde de Gloucester, personagem de "Rei Lear", de Shakespeare: "É a desgraça destes tempos, que os loucos guiem os cegos".
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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