Editorial 03/06/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Gastos públicos e a necessidade de transparência
A Prefeitura liquidou R$ 184.168.070,00 em despesas com pessoal e encargos sociais no primeiro quadrimestre de 2026.
O dado consta do Relatório Resumido de Execução Orçamentária e foi apresentado na Audiência Pública de Avaliação das Metas Fiscais.
O valor global atende aos requisitos formais de publicação da execução orçamentária, mas a ausência de divisão detalhada desses extratos impede o acompanhamento real sobre a destinação dos recursos do município.
A falta de discriminação nas contas públicas motivou o requerimento 2057/20-26, apresentado pelo vereador Tiago Mafra (PT).
O pedido de informações pede que a Prefeitura separe os valores destinados a servidores concursados, cargos comissionados, contratados temporários e trabalhadores terceirizados.
A iniciativa expõe uma lacuna na prestação de contas que afeta o controle externo exercido pelo legislativo e pelos cidadãos.
A Lei de Responsabilidade Fiscal determina parâmetros para os gastos com funcionalismo, mas a consolidação de diferentes vínculos em um único bloco contábil esconde distorções administrativas.
A expansão de contratos de terceirização para preenchimento de postos de trabalho na saúde, na educação e no apoio administrativo ocorre sem que a sociedade saiba o custo real por trabalhador e o impacto financeiro comparado ao custo de servidores integrados por concurso público.
Para o vereador, a dependência de mão de obra temporária e terceirizada em áreas finalísticas da administração afeta a continuidade do serviço público.
Vínculos precários reduzem a estabilidade das políticas municipais e criam des-pesas que, muitas vezes, são contabilizadas fora do limite estrito de pessoal, o que mascara o real tamanho da máquina administrativa.
O município precisa demonstrar se possui estudos de economicidade que justifiquem a opção por empresas prestadoras de serviço em detrimento da realização de concursos.
Mafra defende que a Prefeitura tem o dever de fornecer planilhas analíticas de janeiro a abril de 2026 e a relação de contratos com o quantitativo de trabalhadores terceirizados.
O detalhamento do destino de cada parcela dos R$ 184 milhões não é uma concessão política, mas uma obrigação legal de transparência.
O silêncio ou a demora no envio dessas respostas sinaliza desorganização contábil ou opção deliberada por ocultar a real estrutura de pessoal dentro do Executivo.
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