Ordem do Dia 02/02/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A Capital dos mineiros, BH, já foi o túmulo do samba. Considerando os últimos 45 anos, em BH reinou o silêncio por volta de 30 anos, nos dias de Carnaval.
Mas de 12 anos para cá começou a mudar o quadro e, nos últimos 10, BH passou a ter um Carnaval de rua agitado. Escalando de tal modo, que nos últimos 5 anos passou a liderar o Carnaval nacional em diferentes quesitos.
Se antes somente o interior mineiro oferecia folias dignas de nota, hoje BH lidera. Há a estimativa de 15 milhões de turistas foliões, em Minas, neste ano.
A grande maioria em BH. Não sei como fazem essa conta. Difícil acreditar. Mas a rede hoteleira acusa ocupação, já contratada, de 98% das vagas disponíveis na Capital. Fora outras modalidades de hospedagem.
Em termos de blocos carnavalescos, os números são surpreendentes. Moro num bairro pequeno, pouco povoado, e antigo, da Zona Leste. Muitos idosos moram por aqui, com suas famílias em volta. Uma cena pacata.
Composto quase exclusivamente por casas, esse bairro conta com poucos apartamentos: todavia, aqui há 11 blocos carnavalescos registrados, dispostos a "foliar". Não entendo como seria possível. Seria muito bloco nesse bairro, para pouca população local.
No ultimo domingo, na principal pracinha do bairro (há duas), houve uma apresentação pré-carnavalesca. O bloco que se apresentou, "Marisa aos montes", só toca música da Marisa Monte em ritmo de samba, frevo, marchinha etc. Parece impossível. É ver para crer.
Antes dessa onda carnavalesca, tínhamos na Praça Santa Rita uma feira de livros espíritas, raramente. Ou uma roda de capoeira, bisexta.
Houve outros 25 eventos, em diferentes pontos da cidade, no mesmo dia: 1 de fevereiro. Oficialmente registrados. Assustador.
BH tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. No ano passado, teria recebido mais de 10 milhões de foliões, no Carnaval. Pode? Dizem que, neste ano, baterão o recorde.
Os daqui, que não participam da folia, enfrentam um dilema: isolar-se em casa ou viajar, sob o risco de ter a casa invadida por hordas de bêbados sambando.
Não somos romanos. Mas os bárbaros, em qualquer tempo, são de meter medo. Marchando ou dançando. A principal fonte de tensão seria óbvia: de onde virá tanta gente? Virão em paz? Nus ou vestidos? As dúvidas são muitas...
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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