Ordem do Dia 07/05/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
O que surgiu como fofoca tornou-se manchete na grande imprensa: o senador Rodrigo Pacheco "encruou".
Voltou a dizer que não é candidato a nada e ameaça desistir, de vez, de uma possível candidatura ao governo de Minas.
Dizem que renega, até mesmo, uma possível vaga no STF, sonho que já acalentou.
Seria mais um efeito colateral da derrota de Lula no Senado, que atende pelo nome de "a volta do que não foi": a rejeição de Messias ao STF.
O que deveria ser visto segundo sua natureza, uma derrota, tornou-se uma síndrome.
Embora maiuscula, emblemática, inédita, etc, continua a ser apenas uma derrota. Que faria parte do jogo.
O problema seria buscar culpados fora do âmbito do verdadeiro responsável: Lula. O homem levou sua arrogância ao extremo, colhendo o que plantou. Fez uma indicação catastrófica. Bola prá frente.
Mas não. Tamanha humilhação, aplicada no jogo que Lula se diz mestre, seria inaceitável.
O jeito é caçar culpados e ignorar a realidade. Desse modo, chegaram também a Rodrigo Pacheco.
Preterido à indicação para o STF, Pacheco teria trabalhado contra Messias. Pau nele.
Tem sido atacado à esquerda, pelos aluados (sim: "aluados") de Lula. E também à direita, pelos adversários do presidente. Vida cruel. Não há paz para Pacheco.
Pacheco se soma a Xandão, Alcolumbre, Flávio Dino, o bedel da escola e o coroinha da capela. Quem mais? Entretanto, qual desses indicou Messias? Eis o busílis.
Pacheco, na qualidade de mineiro, senador, ex-presidente do Senado e de modos civilizados, seria "um bom palanque para Lula, no Estado".
A afirmação, em si, é chauvinista, pois não leva em conta, inicialmente, os interesses primordiais de Minas, pois não?
O homem, uma vez preterido, serviria de "escada" para Lula. E dê-se por satisfeito. Esse tipo de raciocínio, publicizado sem protocolos, costuma ser mal visto. Concorda, Messias?
Ou devemos servir, todos, como "servos de Lula"? Esse tipo de imagem sugere uma pergunta: a quem Lula serve?
A suposta resistência de Pacheco em se candidatar não é novidade. Teria diversas nuances, representa menos uma opção ao Estado, já pobre em opções.
Minas, cujo perfil político já foi altamente respeitável, sofre pelas suas escolhas. Depois de Zema, quase um anticristo da administração pública, Cleitinho lidera as pesquisas ao governo.
Será esse o nosso futuro? Com seu estilo "cupim elétrico", Cleitinho poderá corroer o que resta das Gerais.
Definitivamente, os políticos brasileiros mostram que o ideal de Platão, preconizando que o povo escolheria "reis filósofos" para governar, seria uma ideia "platônica", efetivamente: jamais realizada. Pelo visto, o Haiti é aqui.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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