Ordem do Dia 23/06/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

23 Jun, 2026 - 10:59
Ordem do Dia 23/06/26

Os capítulos inconclusivos da atual guerra entre EUA, Israel e Irã evocam, novamente, a mística do Oriente Médio, ou Crescente Fértil, como preferem alguns.

Afinal, haveria solução para essa sucessão de conflitos? Que coloca, novamente, o Líbano como vítima?

Há uma vertente que propõe uma perspectiva evolutiva, dizendo que a região representa, propriamente, o alvorecer da civilização humana. E das principais religiões monoteístas.

Suas mazelas seriam os contornos do perfil da própria humanidade. Se assim for, há que se conformar.

Até que a humanidade alcance outro patamar civilizatório. Condição um tanto quanto distante.

Os mais pragmáticos, vêem no petróleo a razão de tanta controvérsia. Logo, os desacertos geopolíticos seriam fruto da posição estratégica da região, tendo sua expressiva produção de petróleo como substrato de sua importância.

Entretanto, houve tempo em que a questão religiosa se colocou no centro do conflito entre Ocidente e Oriente, num momento em que a ideia de Ocidente se formava.  

Nessa medida, o Ocidente teria seus fundamentos condicionados pelos conflitos, de raiz religiosa, referenciados pelo Médio Oriente.

As Cruzadas aparecem, então, como um movimento ainda em curso, iniciado no século XI. Eis o busílis.

Não haveria acordo, na medida em que o jogo ainda estaria sendo jogado. Sendo o petróleo, hoje, o que foi a questão religiosa no passado: um pretexto para a busca da hegemonia, num claro movimento imperialista.

Uma obra clássica, de Amim Maalouf, "As cruzadas vistas pelos árabes", iria nesse sentido.

Ainda que Maalouf não seja assim "tão" árabe: trata-se de um cristão libanês, radicado na França.

De todo modo, a expansão árabe gerou uma reação europeia que a salvou de si própria, mergulhada nas limitações medievais.  

Se o substrato de Roma gerou a base Ocidental, as Cruzadas foram cruciais para a formação de sua identidade.

Apresentando, desse modo, aos europeus a então superior ciência árabe, inteiramente adotada na Europa. Que acabou por engendrar as Grandes Navegações e o Novo Mundo.

No mais, segue a história, em movimentos nem um pouco lineares, estimulada pela condição humana, quase uma "maldição" que trazemos em nós mesmos. Desde a expulsão de Adão e Eva do Paraíso.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com  

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