Editorial 18/06/26

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18 Jun, 2026 - 13:09
18 Jun, 2026 - 13:10
Editorial 18/06/26

A morosidade na instalação do posto da Polícia Federal em Poços

A tramitação do requerimento 2275/2026 na Câmara Municipal, de autoria do vereador Douglas Dofu (União), expõe a paralisia de um projeto anunciado em 2022, mas que ainda segue no papel.

A instalação de um posto da Polícia Federal para emissão de passaportes no shopping local tinha previsão de início para aquele mesmo ano.

Passados quatro anos, a população poços-caldense permanece sem o serviço e necessita viajar para outros municípios para obter o documento.

O histórico de cobranças parlamentares demonstra que o entrave migrou de questões técnicas locais para justificativas de ordem política e burocrática federal.

Em 2023, a Prefeitura informou que aguardava a assinatura de um convênio.

Em 2024, a Prefeitura afirmou que o termo de cooperação técnica estava pronto, com oferta de espaço físico e cessão de servidores públicos municipais para custear a operação.

A justificativa para a interrupção do processo foi uma mudança na gestão do governo federal no início de 2023.

Sob nova direção, o Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a reavaliação do caso e alegou ausência de demanda na região para invalidar o planejamento anterior.

A alegação de falta de demanda contrasta com o tamanho da população regional e com o esforço financeiro que o município se dispôs a assumir.

O argumento federal funcionou como pretexto para arquivar as tratativas sem uma base de dados pública apresentada aos cidadãos.

O município aceitou arcar com despesas de pessoal e infraestrutura, o que anula o impacto orçamentário negativo para a União.

A interrupção do projeto indica critérios centralizadores que desconsideram o histórico do planejamento local.

O novo requerimento questiona quais passos foram dados pela Prefeitura após 2024 e se existem documentos formais que justifiquem a recusa do governo federal.

É necessário esclarecer se a Prefeitura aceitou a negativa de forma passiva ou se buscou reverter a decisão junto ao Ministério da Justiça.

A ausência de respostas claras alimenta a incerteza e mantém o prejuízo para os moradores de Poços de Caldas e cidades vizinhas.

A resolução desse impasse depende da saída da inércia burocrática. Se o município mantém o interesse e a estrutura física está disponível, a falta de avanço reflete uma falha de articulação política entre as esferas municipal e federal.

A Prefeitura precisa cobrar uma posição oficial e técnica do governo federal para que o convênio finalmente saia do papel.

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