Subnotas 12/09/25
Na coluna Subnotas, Daniel Souza Luz fala de política com humor e de humor com política
MEA CULPA
Minha coluna da semana passada foi muito cheia de fel. Está errado isso, ainda mais para uma coluna de humor. Mas só isso, o erro no tom. Fora isso, eu estava certo em tudo. Ainda estou, claro.
ILUMINAÇÃO
Estou lendo um livro teórico sobre ficção científica escrito pelo Isaac Asimov e lá na década de 1970 ele já apontava, em um ensaio chamado O Vitral e a Vidraça, para a falácia intelectual da crítica literária que valoriza mais a forma ou o estilo (embora ele, tal como eu, não despreze seus recursos), como queiram chamar. E desmonta-a exemplarmente, quase como se fosse uma pseudociência. O que talvez seja, de fato. No entanto, houve um escritor que sabia falar sobejamente de estilo: o brasileiro e saudoso Paulo Mendes Campos.
OS DIFERENTES ESTILOS
É bem conhecida, ou foi bem conhecida, a crônica de Mendes Campos sobre os diferentes estilos de se noticiar algo. Segue uma atualização oportuna. Ou oportunista. Eu faria sobre os 300 mil reais desperdiçados em lâmpadas pela prefeitura, mas o Paulo Ney tem o santo forte, pelo jeito.
ESTILO INTERJETIVO!
27 anos e três meses! Menos que quarenta anos! Tudo bem! Não tem Pix que pague!
ESTILO REACIONÁRIO
Estes 27 anos e três meses envergonham-nos perante os norte-americanos. Este tribunal sórdido penará sob a lei Magnistkkk e chegará o dia da liberdade, no qual o The Star-Spangled Banner será executado em todos os eventos oficiais brasileiros.
ESTILO ANTIMUNICIPALISTA
300 mil reais em lâmpadas daria para iluminar a prefeitura por 27 anos e três meses, se fosse feita uma boa gestão do material. Opa Paulo Ney, não te deixei escapar.
ESTILO CONCRETISTA
Três meses e 27 anos. 27 anos não são três meses, mais três meses. Anos. 27. Meses. Três.
ESTILO NELSON RODRIGUES
Michele pensa sem parar: "27 anos e três meses". Olha-se no espelho. O semblante é outro.
RIP
Antes que me esqueça de novo, pois me esqueci semana passada, por um péssimo motivo, conforme já exposto: descanse em paz, Luis Fernando Verissimo. Que pena que você não viu como foi o 11 de setembro de 2025, essa data fatídica. Mesmo que o assunto não te interessasse mais, creio que você gostaria mais do que os jogos de futebol na TV.
* Daniel Souza Luz é jornalista, escritor e revisor. E-mail: danielsouzaluz@gmail.com
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