Ordem do Dia 20/05/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Em 1981, quando este colunista mudou-se para Belo Horizonte, a fim de estudar, o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) era Aldo Rebelo.
Guardo, até hoje, uma carteirinha de estudante da UNE, assinada por ele. Graças a ela, pagava meia entrada no cinema, teatros e shows.
E podia frequentar o "bandejão", da Universidade. Renascia, então, o movimento estudantil. Nos estertores da ditadura militar.
Aldo Rebelo era ligado ao PC do B, partido stalinista, o qual aprendi cedo a criticar.
O stalinismo representaria uma espécie de "fascismo de esquerda", renegado na própria URSS, desde a época de Khrushchov, ex-dirigente Soviético. Mas Aldo seguiu firme.
Tem longa carreira política. Neste ano, foi lançado pré-candidato à Presidência da República por um partido de direita, conservador e cristão.
Não se parece em nada com a Albânia stalinista dos anos 1980, cujo regime serviria de modelo para o partido de Rebelo, na época.
Assim como Nikita Khushchov, Rebelo renegou o stalinismo. E hoje se apresenta como um nacionalista, cristão e conservador.
Continua convicto, ainda que com diferentes convicções. Apesar de suas posições consideradas atrasadas, ou superadas, Rebelo detém respeitabilidade pessoal - uma raridade na arena política atual.
Além de praticar uma conduta austera. Uma comparação de Rebelo com personagens do tipo Nikolas, Cleitinho, Zema ou Malafaia, coloca as diferenças em perspectiva.
Entretanto, uma falseta o aguarda: com a filiação do ex-ministro, do STF, Joaquim Barbosa ao partido de Rebelo, anunciam a retirada de sua pré-candidatura à Presidência. Barbosa, emblemático combatente do mensalão petista, expôs o primeiro grande descalabro do lulopetismo.
Um mega escândalo, na época. Isso até que outros se apresentassem, ainda maiores. Barbosa deverá ser o novo pré-candidato da Democracia Cristã.
Com o escanteamento de Aldo Rebelo, mais um símbolo dos anos 1980, da redemocratização e da esperança de uma época, encontra sua Nêmesis. O que, aliás, tem ocorrido com a própria esperança.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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