Ordem do Dia 13/10/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A mais recente pesquisa Quaest revela muito mais do que parece. Inicialmente, mostra que a polarização seria uma miragem, que encobre uma realidade bem mais complexa.
Realidade essa que se define polarizada em situações específicas. Mas de modo algum seria tão simples.
A pesquisa percorreu o Brasil, realizou milhares de entrevistas, aplicando um questionário robusto, com 150 questões.
E chegou a estabelecer 6 diferentes categorias sociais, segundo seu perfil político. Seriam os progressistas, os desengajados, os cautelosos, a esquerda tradicional, os conservadores tradicionais e os patriotas indignados.
Há um percentual populacional, bem como um determinado perfil, afeto a cada uma dessas categorias. Mas não seria isso o mais importante, mas sim esse tipo de "qualificação". Sem precedentes.
Os aprendizes da sociologia, da ciência política, ou mesmo da economia, tradicionalmente, prendem-se a perfis ocupacionais, ou funcionais, para definir a atuação, ou a consciência, dos diferentes segmentos da sociedade.
Qual seja: o comportamento político, social ou econômico de uma categoria estaria relacionado à sua atividade principal.
A começar da rasteira divisão marxista, que divide o mundo entre "proprietários dos meios de produção e trabalhadores explorados".
Como podemos ver, essa divisão sociológica não seria apenas pobre, e ineficiente, como seus fundamentos mostram-se inadequados, atualmente.
As categorias, classes sociais ou estamentos não seriam mais os mesmos. Nem se definiriam a partir dos mesmos postulados. O que tornaria inúteis as teorias sociológicas conhecidas. Definitivamente, o mundo mudou.
Marx, Durkheim, Weber, e assemelhados, não estariam apenas falecidos, mas superados, pela realidade dos fatos. A orfandade sociológica seria imensa.
Esta coluna, em mais de uma oportunidade, já apontou e comentou esse fenômeno. Mas nos faltava uma base de dados para testar a hipótese.
Pelo visto, não falta mais. O que falta seria uma teoria que equacione perfis, de modo tangível ou mensurável, no mundo digital: essa coisa que, concretamente, não existe.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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