Ordem do Dia 02/10/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A TV Globo, na recente edição do programa "Profissão reporter", tratou dos riscos derivados do preconceito racial.
A começar de um número emblemático: uma pessoa escura, preta, parda ou negra teria um risco 3 vezes maior de ser assassinada. Principalmente pela polícia.
Depois que Silvio Almeida foi demitido por assédio sexual, do Ministério dos Direitos Humanos, parou-se de falar na sua principal obra: a expressão "racismo estrutural". Conceito que, em si mesmo, vale tanto quanto uma nota de 3 reais.
Visto que qualquer coisa "estrutural" precisa, necessariamente, de uma estrutura tangível para existir.
Seja legal ou institucional.
Não é o caso do racismo brasileiro, ao contrário dos exemplos históricos, segregacionistas, vindos dos EUA e do Apartheid sul-africano, por exemplo.
O racismo brasileiro é difuso, inconclusivo, sem bases sólidas, visto nossa majoritária miscigenação. É puro preconceito, que também se aplica a gordos, pobres, feios, mulheres ou "esquisitos", em geral.
Não há legislação que os sustente. Não há estrutura institucional. É insidioso e se verifica nas ações cotidianas.
Logo, vem sobretudo da desinformação ou da ignorância. Seria quase endógeno, cultural, disfarçado de outras coisas. Mas efetivo ao longo da vida e, pelo visto, na hora da morte.
Seria risível algumas manifestações, insustentáveis, relativas a essa seara, tal como "reafricanização" dos "afro-brasileiros", através da imposição de nomes de batismo, oriundos daquele continente.
Se olharem bem a árvore genealógica dessas pessoas, encontrarão traços de índios, brancos, italianos, japoneses, árabes e talvez esquimós. Coisa do Brasil.
Nesse caso, resgatar todas essas culturas vai ficar difícil. O nome será grande demais.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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