Ordem do Dia 01/05/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
São muitas as interpretações, ou leituras, sobre a histórica derrota de Lula, na indicação de Messias, ao STF.
Embora haja análises discordantes, haveria um consenso: um eventual impeachment, de algum ministro do STF, considerado quase impossível, hoje parece plausível. O que, aliás, esta coluna tem pontuado.
A crise de credibilidade, e de legitimidade, da Corte torna possíveis desfechos inusitados. Tal como esse do qual se trata.
Poucos dias antes de seu colapso, o Muro de Berlim, por exemplo, parecia intocável.
Até que, de repente, veio o colapso, sem nenhuma violência. Ruiu, empurrado por palavras. Eis o busílis.
A imprensa internacional tem responsabilizado Lula, exclusivamente, pela derrota. Do ponto de vista político, certamente, seria isso.
Entretanto, a história, no devido tempo, dará seu veredito. E essa responsabilidade poderá ser estendida ao próprio STF, inclusive. A conferir.
Uma das visões destaca a soberba de Lula, como principal fundamento da derrota.
Outra, sua incapacidade de enxergar a realidade, embotado pela própria vaidade. Mas haveria uma curiosa variante: a religiosa.
Reunindo apoios de lideranças bolsonaristas, em virtude de seu terrível "evangelismo", Messias trouxe dúvidas: que bicho seria esse?
Apoiado pelo ministro André Mendonça (bolsonarista) e pelo bispo Rodovalho ("confessor" oficial de Bolsonaro na prisão), entre outros, teria, por outro lado, atraído a antipatia "territorial" de Xandão, Dino, Toffoli e Gilmar, que se sentiram ameaçados.
E se aliaram a Alcolumbre contra Messias. Uma espécie de "briga de gangues".
Além de ser considerado despreparado para ocupar a função no STF, assim como Toffoli, contradições de Messias, na esfera dos costumes, horrorizaram os adeptos do Estado laico.
Messias se enrolou no quesito aborto: seria contra o ato, mas a favor de sua descriminalização. Pode? O homem quer ser pastor ou ministro?
Apresentou-se como "servo de Deus". O que isso representaria numa sentença, rigorosamente mundana?
Via de regra, as dúvidas enfraquecem as escolhas. Muito ainda será dito. Há os que dizem que, do ponto de vista Legislativo, Lula 3 acabou.
Outros acreditam que Lula aprendeu uma lição. Isso é de duvidar. Lula só acredita no próprio sucesso. Suas derrotas, ou os méritos de outros, não são aceitáveis no universo do apedeuta. E la nave va...
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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