Vereadora aponta postura misógina de Kleber Silva após desentendimento
Meiriele Maximino relata que foi alvo de violência de gênero
Poços de Caldas (MG) - A sessão da Câmara Municipal de terça-feira, 7, foi marcada por um embate direto entre os vereadores Meiriele Maximino (União) e Kleber Silva (Novo).
A parlamentar utilizou a Tribuna Livre para denunciar o que classificou como comportamento misógino e violência de gênero durante uma reunião da Comissão Especial de Terras Raras, ocorrida em 17 de março.
De acordo com o relato de Meiriele, o desentendimento começou durante um diálogo prévio à sessão da comissão, enquanto os parlamentares discutiam a votação das contas de 2024 do ex-prefeito Sérgio Azevedo (PL).
A vereadora afirmou que, ao defender que votos favoráveis às contas seriam "contra o povo", passou a ser alvo de agressividade por parte de Kleber Silva.
"O vereador passou a adotar uma postura agressiva, elevando o tom de voz e utilizando gestos ofensivos. Então veio a frase: 'Paciência tem limite, a senhora que me importuna'. O termo 'importunar' tenta reduzir a atuação da mulher. É como se a mulher não tivesse legitimidade para ocupar aquele espaço", declarou a vereadora.
Meiriele destacou ainda uma frase dita pelo colega na ocasião: "Eu também não abaixo a cabeça para mulher nenhuma, não abaixo para minha mãe e nem para Jesus Cristo".
Para a parlamentar, a reação foi direcionada exclusivamente a ela por ser mulher, configurando uma tentativa de silenciamento em um ambiente majoritariamente masculino.
Resposta
Em sua fala, o vereador Kleber Silva buscou minimizar o conflito, tratando o episódio como um "estresse" mútuo e momentâneo.
Ele afirmou ter pedido desculpas nos corredores da Casa logo após o ocorrido e negou possuir qualquer preconceito contra mulheres.
"Se a senhora me interpretou mal, me desculpa. Não tenho nada contra a senhora. O ponto que nós estávamos passou um pouquinho do limite porque não estávamos discutindo o assunto da sessão", justificou.
Entretanto, o vereador reafirmou o teor de suas declarações polêmicas, justificando-as como uma característica de sua personalidade e convicção.
"Quando eu falo que não abaixo nem para Deus, é porque eu senti que estava certo naquele momento. Se a senhora se sentiu ofendida, é porque eu preciso corrigir. Vamos corrigir", pontuou.
Réplica
Antes do encerramento da sessão, a vereadora contestou a versão de que teria havido uma conversa formal de conciliação.
"O senhor diz 'eu sou assim'. A gente é, mas o senhor precisa mudar, porque dentro da casa parlamentar nós somos vereadores e precisamos saber o que podemos falar", rebateu a vereadora, reiterando que as falas sobre não "abaixar a cabeça" para mulheres ou figuras religiosas são "inadmissíveis".
A sessão foi encerrada pela presidência logo após as considerações finais.
Assista abaixo o exato momento em que os vereadores usam a Tribuna Livre.
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