Salários de Sérgio Azevedo no DME ultrapassaram R$ 240 mil em seis meses
Após decisão judicial de afastamento, ação popular pede restituição de valores recebidos no período
Poços de Caldas (MG) - O agora ex-diretor-presidente da DME Participações, Sérgio Azevedo (PSDB), recebeu um total bruto de R$ 243.322,07 e um total líquido de R$ 171.779,27 entre janeiro e junho de 2025.
Os dados foram compilados com base em informações divulgadas pelo Portal da Transparência do Grupo DME. O valor de julho ainda não foi disponibilizado.
A remuneração de janeiro, no valor bruto de R$ 14.727,94 (líquido de R$ 10.923,21), foi menor devido à sua entrada no cargo no decorrer do mês.
Em fevereiro e março, o valor bruto foi de R$ 40.167,10, com líquidos de R$ 28.925,90 e R$ 25.421,75, respectivamente. Nos meses de abril e maio, o salário bruto foi de R$ 42.870,34, resultando em líquidos de R$ 30.747,75 e R$ 30.756,64.
Em junho, a remuneração bruta alcançou R$ 62.519,25, incluindo R$ 19.648,91 referentes a parcela do 13º salário, com um líquido de R$ 45.004,02.
Nomeação contestada e pedido de restituição
A legalidade da nomeação de Sérgio Azevedo foi alvo de uma ação popular (Processo nº 5002706-55.2025.8.13.0518) movida pelo vereador Tiago Braz (Rede).
A ação argumenta que a investidura de Azevedo no cargo de diretor-presidente da DME Participações viola a Lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais) e a Lei Complementar nº 111/2010 (Estatuto Jurídico do DME).
Entre os principais argumentos apresentados na ação estão a suposta ausência de requisitos técnicos e profissionais exigidos para a ocupação do cargo, e a intensa propaganda e exposição dele na campanha eleitoral de 2024 em favor do atual prefeito Paulo Ney (PSDB), o que desrespeitaria a quarentena legal de 36 meses.
A indicação do ex-prefeito não recebeu aprovação do Comitê de Avaliação Estatutário da empresa, que emitiu parecer desfavorável à sua eleição em reunião de 14 de janeiro de 2025.
Diante das alegações, a ação popular solicitou, além do afastamento do cargo, a condenação de Sérgio Azevedo a "ressarcir integralmente aos cofres públicos todos os valores percebidos durante o exercício ilegal do cargo, devidamente corrigidos".
Em decisão proferida em 9 de julho de 2025, a Justiça acatou o pedido de antecipação de tutela, determinando a suspensão da investidura de Sérgio Azevedo no cargo de diretor-presidente da DME Poços de Caldas Participações.
No entanto, ele se antecipou a Justiça e anunciou na noite de ontem, 9, que pediu afastamento do cargo. O processo segue tramitando na 2ª Vara Cível da Comarca de Poços de Caldas.
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