Ordem do Dia 29/04/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

29 Abr, 2026 - 12:26
Ordem do Dia 29/04/26

O escândalo do Banco Master, dadas suas características espetaculares de corrupção, possui um caráter "ecumênico": ultrapassa a polarização, ou divisões ideológicas.

Não envolve apenas políticos. Transita, igualmente, por diferentes denominações religiosas.

Lembra uma espécie de "Casa da Mãe Joana", em termos dos diferentes perfis dos frequentadores, imoralidades de diversos tipos e empenho, generalizado, no quesito "todo mundo nu". 

Com um sério agravante: a delinquência se apresenta de diferentes formas, a começar dos costumes, se espraiando pelo mercado financeiro, administração pública, órgãos de controle, diferentes poderes e autoridades da República, com conotação internacional. Torna o "Petrolão" petista, em certa medida, "suburbano".

A sofisticação do descalabro, do Banco Master, ultrapassa diferentes mandatos presidenciais, de diferentes matizes.

Ganha dimensões míticas, com a presença de Sheiks Árabes (evocando as "Mil e uma noites"), celebridades do esporte (o lutador Gracie, por exemplo) e a atuação de ex-presidente como lobista, no caso Michel Temer.

Lembra o lobby do Lula na África, supostamente em nome da Odebrecht. Mas num nível menos "sindical", atingindo padrões principescos. 

Lady Diana, de saudosa memória, teria entrado em roubada semelhante, ao envolver-se com um playboy árabe.

Janja até suspira, diante de tamanho "glamour": parece mais "chic" que desfile de Escola de Samba. Além de não ter resultado em nenhum tipo de "barraco", na Marquês de Sapucaí.

Nessas horas, vemos a falta que nos faz o colunista Ibrahim Sued... Nesta semana, a grande imprensa trás detalhes sobre tais questões.

Não seria criatividade desta coluna, a descrição presente. Os fatos têm superado os sonhos.

O que intimida literatos, em geral. Simples cronistas, ou mesmo colunistas, têm diante de si intrincadas tramas, ao nível de Shakespeare.

Dotadas de complexidade criminal digna de Agatha Christie, com uma exposição da condição humana que empalideceria uma narrativa de Sommerset Maugham. Isso para ficar apenas no âmbito da literatura inglesa.

Mas este pobre colunista não seria capaz de encetar semelhante transição. Novamente, é de se lamentar a falta de mestres falecidos, aptos a desenvolver esse universo de desfaçatez.

Somente a maestria de Nelson Rodrigues, talvez, uniria arte e realidade, nesse contexto que se apresenta.

Haja "sacanagem", perversões ou simples falta de vergonha. Seria "A vida como ela é". Nem um pouco "Bonitinha". Ou "Ordinária".

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com 

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