Ordem do Dia 26/11/25
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
O episódio envolvendo a indicação de "Bessias" para o STF é parte de um concerto. Ou melhor, ópera. Que representa o colapso do presidencialismo, conceituado pelo ex-presidente FHC como "de coalizão". Mais parece, hoje, "de colisão".
Esse presidencialismo, hoje comprometido, é fruto de uma Constituinte que sempre teve um pé no Parlamentarismo.
Empoderou o Congresso, mitigou o poder presidencial, mas conferiu poucas responsabilidades a deputados e senadores.
Que hoje definem grande parte do Orçamento, sem se responsabilizarem pelas consequências. Seriam como crianças brincando com fogo. Parcialmente capazes. Com poder mas sem juízo.
Nesse momento, após impor suas emendas paroquiais ao Brasil, assim como o bilionário Fundo Partidário, querem dispor de mais poder junto ao STF, assim como já controlam o TCU (Tribunal de Contas da União). Fato: o Senado tem candidato ao STF - e não é o "Bessias".
Em enquete, 11 dos 27 senadores da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) se manifestaram. A maioria seria contra "Bessias".
Deputados e senadores votam a Lei Orçamentária, indicam a maioria dos membros da principal instância administrativa (o TCU) e almejam, agora, um representante na principal instância judiciária (o STF).
Só não controlam corações e mentes nacionais, visto que carregam histórica, e recorrente, rejeição. A maioria vê o Congresso como uma congregação de malandros. Assim como o STF e a política, em geral. São esses os indicadores de diferentes pesquisas.
Além dessas intercorrências constitucionais, o relacionamento institucional entre poderes sofre de uma verdadeira patologia religiosa, totalmente disfuncional.
Seria a atuação acrítica e a militância delirante de algumas denominações evangélicas. Que, "mutatis mutandis", lembram o comportamento de seus homólogos islâmicos.
O "Bessias" seria "terrivelmente" evangélico, assim como André Mendonça. Isso aparece como condição para sua indicação ao STF.
Desde quando religião seria requisito para atividade judicante? Supostamente independente? Desde quando a estupidez passou a comandar os passos da política brasileira. E as escolhas nesse campo.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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