Ordem do Dia 26/01/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Não há obras definitivas ou, tampouco, pontos de vista inquestionáveis. A riqueza da realidade, adicionada à parcialidade das visões subjetivas, faz com que estejamos sempre na "corda bamba". Qual seja: em terreno incerto.
Todavia, quando o assunto é o fascismo italiano, visto como precursor do fenômeno, emerge a obra de Antônio Scurati.
Somando a precisão histórica com os sortilégios literários, em três volumes (que poderiam ser dois, talvez), Scurati estabelece a trajetória de Mussolini e de seu movimento fascista.
Seria a principal obra, escrita neste século, sobre o assunto. E há lições a aprender. O fascismo emerge como uma técnica, além de um movimento histórico, que estrapola discussões sobre modelos econômicos. E se adapta a diferentes formulações e estruturas.
Em diferentes contextos sociais ou culturais. Nessa medida, seria digno de nota o comportamento da polícia de repressão aos imigrantes nos EUA, o ICE, que agora passou a invadir residências sem mandado judicial e a assassinar pessoas nas ruas.
Em Minneapolis já registraram duas vítimas fatais: uma mulher desarmada e um homem imobilizado no chão, que recebeu 10 tiros nas costas, segundo a mídia local. Ambos cidadãos americanos sem registros policiais.
Emulada por Trump, essa espécie de Gestapo, ou SS, atuaria contra um suposto "inimigo interno".
A busca por expansão territorial, inicialmente no Canadá e agora na Groenlândia, soma-se perigosamente ao contexto. Seriam dois ingredientes típicos do fascismo.
O estilo "bufão com um propósito", de Trump, ocupando a mídia e as redes sociais, o coloca no centro das atenções mundiais, em condição de expandir sua influência.
Matéria recente do The New York Times destaca o desequilíbrio narcisista do presidente norte-americano, como ingrediente importante dessa equação.
Por fim, a fragilidade das instituições norte-americanas, ainda segundo a mesma avaliação do Times, aparentemente despreparadas para enfrentar personagens desse tipo, forma um perigoso tripé, favorável à expansão fascista.
Nesse último item, talvez o Brasil tenha algo a ensinar aos EUA. Quem diria. De fato, a profusão de golpes, ou sua tentativa, a presença de personagens políticos sinistros, de diferentes tipos e faixas etárias (Nikolas, e sua passeata, seria o "filhote" fascista), aliada à nossa combalida moral institucional, mostra a resiliência da atual democracia brasileira. Temos resistido.
Os EUA resistirão?
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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