Ordem do Dia 08/05/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

8 Mai, 2026 - 10:32
Ordem do Dia 08/05/26

Quem se lembra da "dobradinha" entre Rodrigo Janot e Joesley Batista? O Procurador Geral da República e o mega açougueiro internacional, supostamente, o maior produtor mundial de proteína animal? Sinistra.

Deu-se no âmbito da operação Lava Jato e, se fosse realizada por adversários do petismo, seria chamada "golpista".

Talvez uma "ópera golpista", dada a dramaticidade espetacular do evento. 
O ponto alto do espetáculo foram as gravações realizadas, de modo traiçoeiro.

O então presidente Michel Temer, e Aécio Neves, foram covardemente emboscados por Joesley e seu irmão, e gravados, dizendo frases comprometedoras.

Temer teve seu mandato ameaçado, amargando rejeição jamais vista. Já Aécio teve destruída sua carreira política, viu a irmã ser presa e até hoje vaga como uma espécie de claudicante "pato manco".

Depois de feito o estrago, perícia da Polícia Federal chegou à uma conclusão técnica: além de duvidosa legalidade, e de ruinosa moralidade, a gravação era imprestável.

Foram, ambas, objeto de fraude, tendo passado por dezenas de edições. Mas já era tarde.

Temer encerrou carreira política e Aécio tornou-se o absolvido mais condenado do Brasil. Para Temer e Aécio, Joesley evoca um trecho do texto hindu Bhagavat Gita: "agora tornei-me a morte, o destruidor de mundos".

Mas a ópera não parou por aí. A cena bufa ficou por conta de Janot: repercutiu as gravações no STF, com grande escândalo.

Mostrou-se mais uma ação inepta do homem, que viu derrotada a grande maioria de suas iniciativas legais, encaminhadas junto ao Supremo.  

Além disso, foi armado ao STF, objetivando assassinar Gilmar Mendes, seu desafeto.

Outra ação inepta. Mas orgulhoso do "ovo" que quase botou, "cantou de galinha" e alardeou o que quase fez. Pagou caro. Hoje, jaz no ostracismo.

De todos esses personagens operísticos, prevaleceu Joesley. Que atualmente atua no circuito diplomático e comercial Brasil-EUA. Com grande desenvoltura. 
E posa de herói.

Reconhecido por Lula, queridinho do BNDES, integrou a comitiva presidencial, em viagem à China.

Ajudou a resolver o problema das tarifas, opostas por Trump contra a economia brasileira, por obra e graça dos Bolsonaro. Contribuiu para o "encontro fortuito" entre Lula de Trump, numa solenidade na ONU.

Finalmente, seria um dos artífices da recente "reunião de trabalho", entre os dois presidentes, em plena Casa Branca, em Washington. Poisé.

O homem não é fácil. E quem se mete com ele não vai longe. É descartado sem dó. Assim como muchiba de bife.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com 

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