Ordem do Dia 18/03/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Um "barraco" entre Erika Hilton, a deputada trans, e Ratinho, o apresentador, parece um campo minado. Ratinho corre o risco de uma condenação de 10 milhões de reais, proposta pelo Ministério Público, acusado de "transfobia". Não é pouco.
Demonstração de "rigor". Embora a cúpula do MP, na pessoa de Gonet, mantenha estranha tolerância em relação a Vorcaro. Nesse caso, Ratinho está valendo mais.
Hilton já se envolveu em diversas ações, tendo a transfobia como pano de fundo. Os transfóbicos, por sua vez, podem ser ridículos, como Nikolas, por exemplo.
Esse deputado subiu à Tribuna da Câmara, com uma peruca loura, barbarizando a questão. Embora tenha "arrasado" assim travestido, e revelado raro "talento", houve protestos.
Já o caso do Ratinho tem dividido os juristas. Alguns defendem as críticas como sendo liberdade de expressão: ele condenou a eleição de Hilton, para presidir a Comissão de defesa dos direitos da mulher. Segundo Ratinho, Hilton "não é mulher". Não poderia representar adequadamente as mulheres.
Ela, por sua vez, afirma que sim. E, convenhamos, não parece homem. Ainda que possa ter "equipamento" para funcionar como tal. Eis o busílis.
De todo modo, a eleição de Hilton não é ilegal. Não há restrição de gênero para ocupar a função. Embora haja objetivos conflitos de interesse.
Homens e mulheres dividem cotas para candidaturas, por exemplo. E são separados em competições esportivas. Quem ocuparia o espaço de quem, havendo pessoas trans?
Hilton não será chamada a amamentar um bebê ou a dar à luz. Mas opinará caso haja conflito de interesses entre mulheres trans e biológicas. Como ficaria isso?
Em virtude da reação de Hilton contra Ratinho, tentando suspender seu programa, o Partido Novo representou contra a deputada, no Conselho de Ética. Pelo visto, estão todos com disponibilidade de tempo. Até Demétrio Magnoli, da Globo News, opinou e criticou Hilton.
Há, inclusive, uma influencer trans, Sophia Barclay, que se opõe à eleição de Hilton. Segundo Barclay, a Comissão se destina a defender as "mulheres biológicas". Opositores de Hilton dizem que Barclay seria "mais bonita e mais sensata que Hilton".
Ao fim e ao cabo, a atenção midiática interessa a todos os envolvidos. Inclusive ao Partido Novo que, até hoje, não disse a que veio. Seria problema de "identidade"? E segue o "barraco"...
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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