Ordem do Dia 15/09/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Certo ou errado, justo ou injusto, encerrou-se o capítulo relativo ao julgamento de Bolsonaro e companhia. Novo episódio se anuncia: com vocês, a anistia.
Sem entrar no mérito de sua conveniência, ou legitimidade, indaga-se de sua funcionalidade: a quem serve a anistia de Bolsonaro, além dele próprio? Alguém sabe explicar? Eis o busílis.
Se formos perguntar ao general Santos Cruz, à Carla Zambelli, ou até mesmo ao falecido Gustavo Bebianno, teremos respostas pouco edificantes.
Esses ex-aliados foram abandonados pelo clã Bolsonaro sem qualquer cerimônia. E sem possibilidade de defesa.
Nesse ponto, emerge a fala de Carlos Bolsonaro, responsabilizando Mauro Cid pela prisão do pai e pela derrocada de seu grupo.
O rapaz tem razão. Cid foi o único aliado de Bolsonaro que teve oportunidade de "dar o troco", após servir aos propósitos pouco republicanos da trupe Bolsonaro.
E que troco. Sem Cid talvez a história fosse outra. A ira do Bolsonarismo contra ele tem fundamento.
Indício dessa visão rancorosa vê-se no voto de Fux.
O ministro só faltou absolver Judas pela traição a Jesus. Mas não perdoou Cid. Braga Neto também recebeu reprimendas, embora incompreensíveis.
Os mesmos argumentos que serviram a Fux, para absolver os demais, poderiam salvar Braga Neto. Alguém explica o Fux? Talvez o pessoal do Netanyahu tenha uma pista.
Muita água vai rolar. Alguns cálculos, que somam 8 anos de inelegibilidade ao cumprimento da pena, colocam Bolsonaro na arena política somente em 2060. Nessa data, Bolsonaro terá mais de 100 anos. É o que diz a lei da "ficha limpa".
Os atuais aliados de Bolsonaro insistem na anistia. Aparentemente, não se importam com a natureza turbulenta do bolsonarismo. Será que não se cansam com o desgaste?
A última ameaça do futuro ex-deputado Eduardo da América, vulgo "bananinha" ("Yes, nós temos banana", disse o cancioneiro popular), seria o envio de uma frota dos EUA para o Brasil. A passeio ou guerra? Disso ainda não sabemos.
Mas os alvos seriam os portos de Salvador e do Rio de Janeiro. A data do desembarque seria no final do ano. Os preparativos estariam em curso. Será que vão passar o Revellion por aqui?
Assim como em Belém, por causa da COP 30, os hotéis devem inflacionar.
Bem como o trottoir. Não devemos nos esquecer dos hábitos dos marinheiros. "Querelle", de Jean Genet, que o diga. Quem preferir a versão cinematográfica, há o filme de Fassbinder.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
Qual é a sua reação?



