Ordem do Dia 13/03/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Mais do que um resultado, a última pesquisa Quaest indica uma tendência: Lula vem caindo nas intenções de voto para a presidência. Flávio Bolsonaro vem subindo.
Estão em empate técnico, liderando o certame e aparentemente consolidados para disputar o segundo turno em novembro. Por que?
Em menos de 4 meses, Lula perdeu a vantagem de dez pontos percentuais que tinha sobre Flávio.
O único impacto externo positivo, que teria favorecido Bolsonaro filho, teria sido a "pacificação" de sua candidatura, com a retirada do nome do governador Tarcísio.
Fora isso, qual seria o fato relevante? Estaria do outro lado. O que vemos, favorecendo Flávio, seria sobretudo a exaustão da candidatura Lula.
Aos 80 anos, e com um discurso ainda mais velho e superado, Lula não empolga. Não parece ser uma proposta para o futuro. Quando muito, a continuidade de um passado opaco.
Entretanto, a polarização segue firme e dá sobrevida a Lula: as rejeições, a ambos os candidatos, são os motores de ambas as candidaturas.
A rejeição desses candidatos estaria em níveis superiores a 40% se tornando tanto o piso, quanto o teto, de ambos. Novamente, não temos eleitores, mas "rejeitores". Não são os méritos de Flávio que alimentariam sua ascensão, mas os deméritos de Lula.
O mesmo problema em relação à família Bolsonaro. Ostenta um perfil miliciano, uma truculência endógena e o apego somente ao próprio bem estar. O episódio das tarifas contra o Brasil, capitaneadas por Eduardo "bananinha", seria o argumento definitivo.
Aqueles que se sentem insatisfeitos com a polarização, aparentemente rediviva, estariam enfrentando uma contínua decepção.
Embalada pela sensação de uma crescente decadência política e civilizatória. O período petista, entremeado pelo episódio bolsonarista, tem se revelado uma sucessão de dissabores. Com uma queda acentuada na qualidade do debate, incensado pelo ódio.
A mediocridade, pelo visto, continua dando as cartas e ocupando espaços. A sensação de estarmos num pântano infecto, atolados até o pescoço, vem acompanhada do odor correspondente. É nóis.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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