Ordem do Dia 09/02/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

9 Fev, 2026 - 00:37
9 Fev, 2026 - 12:02

No início da semana passada, a Ordem do Dia abordou um certo temor, compartilhado entre muitos moradores de BH.

Com um Carnaval de rua que se propõe o maior do Brasil (o que seria discutível), a cidade se prepara para receber mais de 6 milhões de turistas, somente nos dias de Carnaval. Sem contar os foliões locais e da Região Metropolitana, que somariam outros milhões.

Essa conta fica mais complicada, quando se projetam outros fatos. O Carnaval se estenderia, para antes e depois da data, e a assistência supera 10 milhões, ou mais.

Os eventos carnavalescos começaram no dia 1 de fevereiro (dia com, pelo menos, 26 desfiles de blocos, em diferentes pontos da cidade).

Os botecos seguem cheios, houve três dias de folia, no último fim de semana, e o Carnaval não se encerra na quarta feira de cinzas.

Segue até o domingo seguinte. Foliões, fiéis e religiosos se encontrarão nas ruas, praticando diferentes rituais: penitência e esbórnia. 

O sagrado e o profano se entrechocam na diversidade brasileira, disputando adeptos. Fellini, certamente, se aproveitaria artisticamente dessas imagens. Ou mesmo Pasolini.

Esse suposto temor aos turistas turbulentos tem eco mundo afora. Uma breve pesquisa na Internet nos proporciona visão semelhante, em diferentes países.

Na Itália, Roma propõe restrições de acesso em Fontana di Trevi, para proteger o monumento de turistas que afluem em massa.

O mesmo em Veneza, onde se discute cobrança de até 20 euros, "per capita", por dia, de turistas eventuais. Seria uma medida para controlar o turismo "de um dia". 

A população de uma aldeia, da Áustria, chegou a bloquear um túnel de acesso à povoação, que fica a beira de um onírico lago de "contos de fadas", altamente "instagramável".

A massa de turistas barbariza a aldeia de apenas 800 moradores, despreparada para receber os modernos hunos, tão ignorantes quanto os antigos.

Uma pequena cidade do Japão, que alia magníficas cerejeiras com o monte Fuji ao fundo, cancelou seu festival de primavera, com foco na floração das árvores.

A beleza do lugar atraiu milhares de turistas estrangeiros, que usaram os jardins das casas locais para defecar, registrando até selfies durante o ato. Até cercas estão sendo providenciadas, para proteger os moradores dos cagões. Tosco.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com 

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