Ordem do Dia 02/04/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

Abr 1, 2026 - 23:27
Ordem do Dia 02/04/26

O fim do mês de março marcou uma série de decisões. A começar da chapa do atual governo federal: vai repetir a anterior, sendo Alkimim vice de Lula.

Não apenas o bom desempenho do vice o cacifou para ser novamente convocado. Não haveria alternativa melhor para o governo.

Há quem diga que o governo não teria, simplesmente, nenhuma outra alternativa. Embora tivesse tentado. Simples: a noiva, Lula, não pareceria tão atraente. Estaria caindo pelas tabelas.

Na última reunião ministerial, teria havido queixas. Supostamente, o governo não comunicaria bem seu desempenho. Se comparado com o governo Bolsonaro, disseram, o atual governo mostraria ser bem melhor. Será?

Embora, certamente, Bolsonaro tenha se dedicado a um comportamento negacionista e institucionalmente turbulento, tendo governado pouco, ou nada, isso não confere nenhum mérito ao governo Lula, que governou mal.

Um erro não justifica outro. E a pandemia sempre será um fator complicador, dificultando qualquer comparação. Eis o busílis.

Tancredo Neves, supostamente, dizia que do adversário não se fala nem o nome. Nesse caso, o que poderíamos dizer dos números do atual governo, que se despede?

Do ponto de vista fiscal e macroeconômico nada há para se orgulhar. O endividamento é recorde, da ordem de 80% do PIB, assim como o pagamento do serviço da dívida, estimado em 1 trilhão de reais, em 2025.

Os déficits em conta corrente seguidos, recorrentes, os juros altíssimos, com os investimentos, e o crescimento econômico, prejudicados, azedam o ambiente econômico.

As estatais exibem deficit recorde e, somente em janeiro de 2026, apresentaram 4,9 bilhões de resultados negativos.

A inflação é consistente e tendente a crescer, especialmente no próximo ano. Todos esses números são oficiais, publicados pelo próprio governo.

Mas um dado preocupa acima de tudo: haveria um número significativo de beneficiários do Bolsa Família, comparados aos trabalhadores formais.

Se somarmos aposentados e pensionistas a esse número de bolsistas, teremos o seguinte resultado: a grande maioria dos brasileiros não trabalha.

Isso sem contar crianças e jovens "nem-nem" (nem trabalham, nem estudam). Qual futuro se apresenta? O que estaria sendo feito para equacionar semelhante tragédia?

Que tende a se agravar, com o crescente envelhecimento da população brasileira.  

Essa pergunta vale para qualquer um dos candidatos à presidência. E nenhum deles, até agora, sequer tocou em semelhante assunto.

* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com  

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