Ordem 10/09/25
Na coluna Ordem do Dia, o historiador, advogado e cientista político Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
É atribuída ao ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, uma frase que resumiria as vicissitudes presentes: "tempos estranhos". No caso, nos referimos aos conflitos envolvendo as identidades nacionais. Que confundem suas lealdades com bandeiras estrangeiras.
Segundo Nelson Rodrigues, talvez o mais versátil cronista e dramaturgo brasileiro, sofríamos, coletivamente, de um certo "complexo de vira-latas".
A esculhambação nacional nos levaria a uma espécie de depressão estética e a uma baixa autoestima.Isso começaria a ser revertido com a conquista, pelo Brasil, da Copa de 1958.
O período do Milagre Econômico, coroado pela conquista da taça Jules Rimet, com o tricampeonato mundial, teria encerrado esse ciclo.
Entramos, então, no modo "Brasil, país do futuro". Igualmente equivocado. Pois mais parece conversa de videntes.
Trocamos a "síndrome de vira-latas" por uma espécie de "destino manifesto": estaríamos garantidos no futuro. Mas nunca falaram em prazos. Apenas em expectativas.
Aguardamos, até o momento, "deitados em berço esplêndido". Conversa mole. De repente, nos vemos ameaçados pelo país mais poderoso do mundo, por conta de ideologias estranhas. Seguidas de comportamentos dignos de hospício.
O governo dos EUA chegou a nos ameaçar militarmente. Estariam realmente dispostos a isso? A personalidade covarde e confusa do presidente norte-americano nos leva a colocar as barbas de molho.
De quantas tropas precisariam os EUA para nos subjugar? Talvez de nenhuma. Grande parte da população brasileira, incluindo diversas autoridades, estariam prontas a exercer o papel de Judas.
Defendem ostensivamente os interesses norte-americanos, assim como exibem indecorosamente a bandeira de nosso executor, entre outras, sugerindo opções religiosas de tipo racista.
Sem nenhuma culpa ou empatia. Parecem psicopatas. Com pouca capacidade cognitiva e sem nenhuma autocrítica.
Guiados por uma certeza inabalável, fundada numa ignorância trevosa. Seriam enviados dos infernos?
Parece aceitável dizer que, assim como o bem, o mal existe. E se manifesta de diversas maneiras. Pelo visto, Satã mobiliza seus adeptos.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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