Macacos e fatos
Todos nós que acreditamos na cura pelas águas sulfurosas, diariamente dirigimo-nos à Praça Dom Pedro II e, nas fontes ali existentes lavamos as mãos, o rosto, a boca; molhamos a cabeça, os pés e as pernas.
O certo é que, apesar de todos os remédios químicos, as águas termais são um grande alívio para inúmeras afecções acometidas por todos nós. Isso é fato.
Agora vamos aos registros históricos. Informações extraídas do livro do médico Pedro Sanches "As Águas Termais de Poços de Caldas, Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, 1904, páginas 164 e 165:
"Antigamente a fonte Macacos era conhecida pelo nome de Poço Velho. E esta denominação se encontra no mapa levantado em 1865 pelo engenheiro dr. Martiniano da Fonseca Reis Brandão." "Na época em que a fonte recebeu o nome que tem, o ajuntamento dos banhistas fazia-se em torno das fontes Pedro Bo-telho e Mariquinhas que eram usadas apenas para banhos. À tarde todos os aquáticos se reuniam no largo, hoje Praça Senador Godoy, e iam ao Poço Velho beber água. Como este poço ficasse na outra extremidade da várzea da localidade, lembrou-se um dia alguém de convidar os companheiros para irem a Macacos, para fora da cidade, imaginando um passeio conhecido no Rio de Janeiro à Estação de Macacos, da Estrada de Ferro Central."
O nome dado à fonte tem essa origem. Registro no livro Poços de Caldas, Editora Anhambi, São Paulo, SP, 1950, de Homero Benedicto Ottoni, traz:
“Macacos; primitivamente Fonte do Campo, depois Poço Velho.Há duas versões sobre a origem da denominação atual. Uma, em virtude de haver nas matas próximas grande número de símios baru-lhentos. Outra por haver-se tornado local de passeio dos forasteiros. Iam às tardes, campo a fora, beber daquelas águas. Mas como no Rio de Janeiro possuía a Princesa Isabel uma fazenda denominada Macacos, o bairro a que deu o nome, e depois servido pela Companhia Carril de Vila Isabel, aquele logradouro veia a ser ponto de passeio dos cariocas. Por analogia, estendeu-se o apelido ao passeio de Poços."
Chamamos a atenção para o fato de que, naquela época, Poços de Caldas era muito procurada pelos moradores do Rio de Janeiro, que para cá vinham em busca da cura pelas águas.
Em 1904 vamos encontrar uma referência ao espaço público denominado Praça Colúmbia, cuja deno-minação vem no sentido de homenagear as Américas - colônias europeias do Novo Mundo.
Importante destacar que a palavra Colúmbia é derivada de Colombo, Cristóvão, o grande navegador. Também apa-rece em relatórios e no livro do médico Mário Mourão (Poços de Caldas - Esboços Históricos, 1933) a denominação Praça da Colômbia.
Segundo informações do Memorial de Poços de Caldas, de Heloísa Caponi e Américo Silva, a praça foi urbanizada pelo mestre pedreiro e perito em hidráulica, o português Antônio Alves da Silva, o mesmo que fez a captação de todas as fontes de águas sulfurosas da então Vila de Poços de Caldas.
Foi também na Praça Colúmbia que o fotógrafo Manuel Barbosa de Sá Vasconcelos inaugurou o primeiro teatro - como casa de espetáculo em Poços de Caldas - ao qual deu o nome de Odeon-Armilla, em homenagem à sua filha Armilla Vasconcelos.
Nessa mesma Praça foi construído, em 1896, pela Empresa Balneária dos Poços de Caldas, o Balneário Macacos. Esse edifício foi - mais tarde demolido pela empresa estatal Hidrominas - para dar lugar ao Balneário "Doutor Mário Mourão", inaugurado em 1975.
Assim de retalho em retalho de notícias vamos compondo o que mais tarde - por volta de 1916 - passou a ser denominada Praça Dom Pedro II em homenagem ao imperador que aqui esteve no ano de 1886 para inaugurar a Estrada de Ferro e Estação do Ramal de Caldas da Companhia Mojiana.
Naturalmente existem versões orais, fruto da imaginação e do "ouvir dizer". Ficamos com o documento de Pedro Sanches de Lemos que viveu naquele tempo e fez os registros iniciais da história de Poços de Caldas.
* Hugo Pontes é professor, poeta e jornalista
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