Editorial 22/07/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Câmara dá o recado: não vai passar a mão na cabeça de ninguém
A suspensão do vereador Kleber Silva (Novo) por 30 dias, sem direito a salário, com um placar unânime de 15x0, demonstra um recado claro da Câmara Municipal: não há espaço para "passar a mão na cabeça" de ninguém nesta legislatura.
A decisão contundente reflete a seriedade com que o caso foi tratado, afastando qualquer especulação sobre protecionismo ou conivência, como pode ter ocorrido em outros tempos.
A própria administração municipal, cujo vice-prefeito é do mesmo partido do vereador, ao que tudo indica, não fez movimentos para "salvar" Kleber Silva.
Se fez, não surtiu efeito, já que nem os poucos vereadores da base situacionista votaram a favor, incluindo o líder do governo, Lucas Arruda (Rede).
Mais simbólico ainda foi o voto do suplente de Kleber no caso, o Sargento Azevedo (Novo), que optou pela suspensão.
Ele baseou sua decisão em sua formação de policial militar que segue as leis e na convicção de que não poderia compactuar com a conduta do colega.
Se até mesmo um colega de partido votou pela suspensão, a posição do Novo agora é crucial. Em 1º de julho, o partido encaminhou ofício à Câmara solicitando informações sobre o mandato de Kleber Silva, visando "assegurar a transparência e o alinhamento de atuação do vereador aos valores e princípios do Partido Novo, previsto no Termo de Compromisso do Mandatário".
A decisão unânime contra Kleber tem outros elementos. Entre seus pares, ele é visto como "forçado", sempre buscando se mostrar "atuante" e "prestativo", mas a impressão que passa é de alguém que anseia apenas por holofotes. Por isso, não houve disposição em acatar suas explicações.
Tão importante quanto a decisão pela suspensão foi o depoimento das testemunhas. Elas confirmaram que, embora o procedimento correto seja outro, a atitude de levar pedidos diretamente à Secretaria de Saúde é comum. Isso sinaliza que outras autoridades também estariam "furando a fila" por exames e consultas.
Essa revelação levanta a necessidade urgente de uma investigação mais ampla por parte dos vereadores para coibir tais práticas, garantindo que o acesso aos serviços públicos seja justo e igualitário para todos.
A Câmara, ao punir Kleber, demonstra que está atenta e não hesitará em agir em defesa da moralidade e da transparência.
Fica o sinal de alerta para o prefeito Paulo Ney. Em uma eventual abertura de processo de cassação pela nomeação irregular de Sérgio Azevedo para a DME Participações, conforme especulações nos bastidores, o prefeito poderá ter muito trabalho para convencer os vereadores a seu favor.
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