Editorial 16/03/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Como Poços deve tratar os vestígios de suas tradições históricas?
O decreto 14.970, publicado na quinta-feira, 12, foi o ato final do serviço de charretes por tração animal em Poços de Caldas.
O texto proíbe a circulação de veículos de tração animal na área central e em avenidas como a João Pinheiro e a Mansur Frayha.
A medida encerra uma atividade de décadas no município. Na manhã de sexta-feira, 13, o prefeito Paulo Ney (PSD) e ativistas participaram de um ato na Praça Getúlio Vargas para marcar o primeiro dia da proibição.
Durante o evento, o antigo cocho de água dos cavalos foi quebrado com marretas. A placa que indicava o ponto de charretes também foi retirada.
A administração municipal justificou o gesto como uma forma de decretar o fim do serviço. O Departamento Municipal de Água e Esgoto desligou as torneiras e iniciou o desmonte da estrutura.
O local será utilizado para estacionamento rotativo, com serviços de pintura e sinalização de vagas. A decisão de destruir o bebedouro gerou opiniões divergentes entre os moradores nas redes sociais.
Parte da população defendeu que o objeto recebesse outra utilidade, como o plantio de flores, ou que fosse preservado como item de memória histórica da cidade.
A remoção física imediata de elementos que compunham a paisagem urbana do centro divide quem prioriza o bem-estar animal e quem valoriza a manutenção do patrimônio histórico municipal.
O encerramento da atividade foi fundamentado no Código de Trânsito Brasileiro e em metas de mobilidade urbana.
Para viabilizar a transição, a Prefeitura estabeleceu o pagamento de indenizaçõ-es aos charretistas e a oferta de cursos de capacitação profissional.
O projeto também prevê o acesso a linhas de crédito para que esses trabalhadores mudem de ramo econômico.
Foi a forma encontrada para não deixar os charretistas sem amparo. A proibição é definitiva e sujeita os infratores a penalidades previstas na legislação de trânsito.
Segundo o governo municipal, o encerramento do ciclo atende a pedidos antigos da comunidade e de grupos de proteção animal.
O ato simbólico de destruição do ponto de apoio encerra a presença dos cavalos no transporte turístico, mas deixa em aberto o debate sobre como a cidade deve tratar os vestígios materiais de suas tradições históricas.
É um tema pouco explorado e debatido e que certamente merece mais atenção por parte de gestores e da sociedade poços-caldense.
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