Editorial 14/08/25

Ago 14, 2025 - 12:15
Editorial 14/08/25

Atual gestão não vai segurar na mão de ninguém

A atual gestão municipal, eleita sob a promessa de continuidade, parece, agora, tentar um distanciamento pragmático da administração anterior. 

Desde o início do ano, observa-se uma série de movimentos que indicam uma estratégia de "não segurar na mão de ninguém", ainda que isso contradiga o discurso de campanha. 

O rompimento do convênio com Salto de Pirapora, logo nos primeiros dias de janeiro, o que ocasionou na dispensa de contratados do convênio que atuaram como cabos eleitorais na campanha de 2024 e o não retorno de boa parte dos secretários da gestão Sérgio Azevedo (PSDB) já eram claros sinais dessa nova postura. 

A nota burocrática sobre a prisão de Hugo Rego, que se utilizou de sua posição em pelo menos três secretarias municipais entre 2022 e 2024 para circular com desenvoltura em vários círculos sociais e empresariais da cidade, somada à falta de esforço em conter as críticas à nomeação de Sérgio Azevedo na DME Participações, a exoneração do presidente da Fundação Jardim Botânico, Marcus Vinícius Ferreira de Moraes, após denúncias de irregularidades na entidade e a não intervenção na suspensão do vereador Kleber Silva (Novo) pelo episódio do "fura fila" para exame de ressonância magnética, reforçam a mensagem: esta gestão busca se eximir de responsabilidades e não se esforça para blindar aliados. 

Na política, é sabido que não é uma boa estratégia deixar aliados pelo caminho, especialmente quando eles podem, de algum forma, ser preservados. 

Trocando em miúdos, a prioridade de quem está no poder neste momento é olhar para o próprio umbigo. 

A pergunta que fica no ar é inevitável: se o pragmatismo e o distanciamento da herança política dos últimos oito anos são a nova tônica, quem vai segur a mão dessa gestão quando as contas de suas ações e omissões começarem a chegar? 

O caminho da autonomia é válido e legítimo, mas os laços que se desfazem hoje podem ser a falta de apoio amanhã. 

O eleitor, por sua vez, observa o descolamento e, inevitavelmente, cobra coerência. O que faz tempo não existe em Poços de Caldas.

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