Editorial 12/07/25

Jul 11, 2025 - 21:25
Editorial 12/07/25

DME: o risco de Poços perder a Joia da Coroa

A recente saída de Sérgio Azevedo da presidência da DME Participações é, de fato, muito mais que uma simples mudança de cargo. 

É um sintoma de uma situação que pode comprometer severamente a saúde financeira de Poços de Caldas nos próximos anos. 

Apesar das alegações de Sérgio sobre um faturamento recorde da empresa no primeiro semestre - uma conquista que ele convenientemente atribui à sua gestão, ignorando os 70 anos de construção e solidez do DME - a verdade é que o município enfrenta um cenário preocupante. 

O DME é motivo de orgulho para todo poços-caldense: uma empresa sólida, bem estruturada e que se destaca por sua capacidade de geração própria de energia elétrica. 

Como não poderia deixar de ser, ainda disse que na gestão anterior o DME caminhava para ter prejuízo, o que não é verdade. 

No entanto, o gestor que se vangloria de tal sucesso foi também o responsável pelo maior aumento da dívida fundada da história da cidade, elevando-a a níveis estratosféricos. 

O relatório de execução orçamentária do sexto bimestre de 2024 revela uma dívida consolidada de R$ 606.877.546,76, com projeções que a colocam em breve na casa de R$ 1 bilhão, considerando ainda precatórios e juros da dívida. 

O valor pode chegar a inacreditáveis R$ 1,4 bilhão até o fim do mandato, segundo o próprio controlador municipal, Vinícius Gadbem. 

Essa catástrofe financeira ameaça não apenas o orçamento anual, mas também empregos, serviços, investimentos e todo o patrimônio público. 

É nesse ponto que o DME, o maior patrimônio de Poços de Caldas, entra na equação: em uma situação extrema, a venda da Joia da Coroa sulfurosa poderia ser o preço a pagar para evitar a insolvência e o colapso financeiro do município. 

Pode até parecer exagero, mas infelizmente, não é e os números comprovam isto. Enquanto os responsáveis diretos já têm a Justiça, a Câmara Municipal e o Tribunal de Contas em seus calcanhares (de Aquiles), os responsáveis morais - aqueles que, com sua retórica e apoio, endossaram essa tragédia - serão julgados pela história. 

O legado que se vislumbra não será o de apenas um faturamento recorde semestral, mas sim o da vergonha e do opróbrio imemorial sobre si e sobre os seus. 

Poços de Caldas merece um futuro sem a sombra de uma dívida impagável e com a certeza de que seus bens mais preciosos estarão protegidos. Não há tempo a perder. 

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