Editorial 05/02/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Os números não mentem, mas os políticos, sim
A prestação de contas do prefeito Paulo Ney (PSD) à Câmara Municipal, na terça-feira, 3, traz à tona um cenário que revela o rastro de uma herança fiscal pesada deixada por seu padrinho político, Sérgio Azevedo (PL).
O relatório de 2025 apresentado pelo prefeito celebra o retorno das contas ao limite prudencial, com a relação receita/despesa em 93,04%.
No entanto, é impossível ignorar o descontrole ocorrido em 2024, quando o índice atingiu alarmantes 128%, um número sem precedentes na administração pública de Poços de Caldas.
A análise histórica é implacável. Para compreender a Dívida Fundada - obrigações contratuais de longo prazo, como empréstimos e parcelamentos - é preciso observar os dados com atenção.
Eloísio do Carmo Lourenço (PSB) assumiu a Prefeitura em 2013 com uma dívida de cerca de R$ 45 milhões e a entregou, em 2016, com R$ 92 milhões (aumento de 104%).
Naquela ocasião, Sérgio Azevedo baseou sua campanha acusando o adversário de ter "quebrado" a cidade, alegando que a dívida era de R$ 150 milhões, o que os balanços oficiais provaram ser falso.
No entanto, a estratégia política funcionou. Muitos acreditaram que apenas Sérgio, que teria "saneado" as contas da Coopoços anos antes, poderia dar um jeito nas finanças sulfurosas.
Contudo, sob a gestão dele (2017-2024), a dívida saltou para R$ 606,8 milhões - um crescimento estarrecedor de mais de 550% em oito anos.
Ao assumir, Paulo Ney sabia exatamente o tamanho do estrago, afinal, era o então secretário de Governo. Sem medidas urgentes, a cidade correria risco de colapso.
No primeiro semestre, o controlador-geral, Vinícius Gadbem, fez uma previsão catastrófica: a dívida fundada poderia chegar a R$ 1,4 bilhão ao término da gestão.
Diante do alerta do TCE-MG em julho, o município precisou reagir. A mudança do indexador da dívida (de Selic para IPCA) e a renegociação que "congelou" o montante em R$ 680 milhões - aproveitando uma PEC aprovada no Congresso no segundo semestre - foram medidas importantes.
Embora a projeção de economia de R$ 150 milhões em três anos com essas renegociações seja positiva, o governo ainda falha na transparência ao não detalhar ao cidadão a situação real dos precatórios.
Não há dados precisos sobre este ponto, nem se sabe se os valores mencionados incluem os mais de R$ 100 milhões devidos à Circullare.
O fato é que, a cada dia, o discurso de que a cidade foi "quebrada" pelo antecessor de Sérgio Azevedo desmorona diante dos números. "É só olhar ao redor".
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