Ordem do Dia 19/05/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Há muitos anos, um conhecido, médico sanitarista, participou de um congresso na Índia.
Seu relato causou espécie: o país era sujo demais. Tempos depois, um outro profissional da mesma área foi mais econômico: "para se limpar a Índia, seria necessária uma chuva, ininterrupta, com duração de cem anos". Poisé.
Daí vem a pergunta: o que seria necessário para "limpar" o Rio de Janeiro? Chuva não é.
O enigma chamado Rio de Janeiro, uma cidade que mistura maravilhas e decepções, amores e horrores, parece indecifrável.
A própria Esfinge ficaria embaraçada diante dos fatos, cujos mistérios nos levam ao desalento. Afinal, do que se trata?
Na última Ordem do Dia, abordamos a nova síndrome nacional, exposta pelo escândalo Master: a lógica delinquente institucional, se impondo de alto abaixo.
Vorcaro, seu principal personagem, conectou o crime organizado às mais altas magistraturas da República. Tornando-as também delinquentes. E interferindo, decisivamente, na sucessão presidencial.
Esse modelo, há mais tempo, é visto na Cidade Maravilhosa. E agora apresenta um novo escândalo: o caso Refit.
A antiga refinaria Manguinhos, hoje Refit, teria sonegado 52 bilhões de reais em impostos. Um valor muito maior que o desvio, estimado, realizado no caso Master.
Pelas mãos do proprietário da Refit, Ricardo Magro, foragido e suspeito de elo com o PCC (Primeiro Comando da Capital), forjou-se um "consórcio" do crime, para realizar tamanha sonegação.
Que vai do governador ao desembargador, passando por outras instâncias administrativas: policiais, fiscais, procuradores, etc.
Seria o sexto governador fluminense envolvido com o crime. Que incluiria o casal Garotinho, Cabral, Pezão, Witzel e agora Castro. Temos uma tradição. Completamente sem vergonha.
Não devemos nos esquecer que o último Presidente da República, hoje preso, é um politico originário do Rio de Janeiro. Cuja família vê-se também envolvida no escândalo Master.
O lugar não é fácil. Teria desenvolvido, em meio à sua magnífica tradição cultural, um certo modo criminal de ser. Eis o busílis.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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