Ordem do Dia 16/04/26

Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia

Abr 16, 2026 - 12:20
Ordem do Dia 16/04/26

Em dezembro de 2024, a revista Piauí publicou extensa reportagem sobre o "capitão" Guilherme Derrite, ex-policial da ROTA - Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, deputado e então secretário de segurança de São Paulo.

Envolvido diretamente em 16 homicídios, de hábitos violentos, autor de medidas lenientes em favor de outros policiais, acusados de diferentes delitos, a carreira de Derrite foi comparada a um "rastro de sangue".

Nessa reportagem, apontou-se que a trajetória do homem foi entrecortada por suspeitas viagens em jatos executivos, antecipando o padrão Vorcaro, via Banco Master.

Desde que Derrite assumiu a função de secretário, na gestão Tarcísio de Freitas, a curva da letalidade policial se inverteu. Nos governos tucanos, chegou a cair 62%.

No atual governo paulista, a letalidade policial vem subindo vertiginosamente, tendo crescido 83% num único ano, segundo dados da Agência Brasil.

Em 2025, a letalidade policial, em São Paulo, cresceu 35%. Superando o índice, recordista, de feminicídios e em sentido contrário ao número de homicídios, em geral, que caiu mais de 20%. O que mostra que feminicídios, e letalidade policial, são síndromes com fundamentos específicos.

Em 2026, no primeiro bimestre, o crescimento da violência policial foi 41% maior, em comparação ao ano passado. Na baixada santista, o crescimento foi de 283%, segundo dados oficiais. Um espanto.

Quando a violência se dá num contexto de descontrole, tensão ou risco, não se justifica, mas se explica. Mas não seria o caso. Parece que a maldade brota naturalmente...

São muitos os casos de violência gratuita, inexplicável, contra pessoas desarmadas. Inclusive entre policiais militares. O assassinato da soldado PM, por exemplo, cometido supostamente por seu marido, oficial da PM, seria chocante e emblemático de diversas formas.

Assim como o recente massacre que vitimou uma mulher desarmada, na companhia do marido, perpetrado por uma policial militar em estágio probatório.

Com escassos 3 meses de atividade na tropa, a jovem PM, com apenas 21 anos de idade, não exitou em executar outra mulher, friamente.

Essa conduta faria parte do treinamento para novos soldados? Seria fruto da "doutrina Derrite", hoje afastado da secretaria de segurança?

Muitos se lançam a apoiar a ideia de que "bandido bom é bandido morto". Certamente, bandido não é bom de jeito nenhum. A pergunta seria quem vai apontar quem é o bandido.

E quem vai matar esse vivente. Seria uma jovem PM de 21 anos, com três meses de experiência? Eis o busílis. 

No caso, a mulher assassinada era mãe de 5 filhos, trabalhava para criar a família. Não era acusada de nenhum crime. Quem vai, doravante, amparar esses órfãos?

Derrite? Ou seria alguém que quer ver os bandidos mortos, mesmo antes de saber quem são?

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