Ordem do Dia 11/07/25
Esta coluna tem dedicado, muito além do razoável, considerável espaço às ações de Trump, presidente dos EUA. Entretanto, parece inevitável.
No último episódio, Trump nos deu tratamento tal que, nos termos de Nelson Rodrigues, teremos que lidar com nosso "complexo de vira-latas".
Fomos tratados como uma "república bananeira" qualquer. Justamente nós que, desde os anos 1970, nos julgamos o "país do futuro". Eis o problema: o futuro está no futuro. O presente se coloca amargo.
Os amalucados bolsonaristas, com destaque para a família Bolsonaro, conseguiram o que parecia improvável: causar danos bem maiores que a quebradeira do dia 8 de janeiro.
Seriam protagonistas de uma humilhação nacional sem precedentes. Graças ao trabalho deles, expressamente admitido pelo próprio Trump, o Brasil é alvo de chantagem internacional. Que vergonha.
Uma coisa é certa: aqueles milicianos cariocas, que chegaram à presidência do Brasil, conseguiram mobilizar os EUA contra os interesses brasileiros.
Segundo editorial do Estadão, do dia 10 de julho, isso seria "coisa de mafiosos". Já Paul Krugman, Nobel de Economia, classificou o ataque ao Brasil de "maligno e megalomaníaco".
Sem qualquer pudor, através de uma infame "cartinha", Trump ataca a economia brasileira com tarifas de 50%, interfere em assuntos internos, ameaça o Poder Judiciário, afirmando que o faz em nome do seu amigo Bolsonaro. Para nós, brasileiros, Bolsonaro se mostra "amigo da onça".
O resultado dessa fórmula, em outros países, é conhecido. No Canadá, na Alemanha e na França, a "proteção" de Trump teve efeito contrário. Seus "protegidos" pagaram caro por isso. Foram objetos de derrotas políticas.
Talvez isso nos livre de uma escória de extrema direita, associada ao fundamentalismo religioso. Uma gente que envergonha os grandes pensadores liberais. E que, em contra parte, fortalece um tipo de esquerdismo não menos atrasado.
Talvez tenhamos, como subproduto dessa humilhação, o ostracismo da direita burra. Com isso, talvez haja espaço para alguma ponderação e reflexão mais elaborada.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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