Ordem do Dia 07/01/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
Há mais de quarenta anos este colunista assistiu a uma peça de Millor Fernandes: "A história é uma istória...". O diretor dessa versão decidiu colocar um preâmbulo no título: "Tá tudo certo mas tá esquisito...".
Por alguma razão, essa peça veio à mente em virtude da "invasão" da Venezuela pelos EUA. Mais precisamente a expressão: "Tá tudo certo, mas tá esquisito...". Esquisitíssimo.
Maduro saiu, a vice entrou e segue o regime. Entre os 40 mortos vitimados pelas forças especiais dos EUA, 39 seriam cubanos. Acidentalmente, faleceu um venezuelano. Não houve uma única e escassa baixa norte-americana.
As forças armadas da Venezuela não dispararam um único tiro. Não decolaram, sequer, uma pipa ao vento. Não disparam mísseis, foguetes ou artilharia. Não manobraram nem o jipe do corpo da guarda e se mantém em obsequioso silêncio.
Os protestos mundiais, "chochos", se esqueceram quase completamente de Maduro e esposa. A vice-presidente empossada, Delcy, prometeu "colaborar" com os EUA.
Trump disse não estar em guerra com a Venezuela e disse que irá receber 50 milhões de barris de petróleo do regime bolivariano-chavista, que permanece no poder placidamente.
A opositora Corina Machado, vencedora do Nobel, foi escanteada por Trump. De repente, dez enormes petroleiros "furaram" o bloqueio naval dos EUA e seguiram calmamente para seus destinos (previamente conhecidos), para entregar sua preciosa carga e receber o pagamento correspondente.
Pergunta: como dez petroleiros furaram um bloqueio naval, onde sequer uma lancha de traficantes navegava em paz? Como isso seria possível?
As fronteiras estão tranquilas, abertas e operacionais. Do lado brasileiro, garantem a "segurança" dois blindados leves sobre rodas, mais meia dúzia de soldados. Não há ninguém descabelado, o dólar caiu e a bolsa subiu.
Parece que o imperialismo, ou colonialismo, de triste memória, inovou. Mas retrocedendo no tempo.
O modelo proposto por Trump, para "governar" a Venezuela e seus recursos naturais, lembra o sistema feudal e seu modelo de "suserania e vassalagem".
Tributos, de tipo feudal, estariam sendo pagos ao senhor (suserano Trump) pelos vassalos venezuelanos: algo tipo talha, corvéia, dízimo, "mão morta", etc. Esta última sob a forma de 50 milhões de barris de petróleo, pagas por Delcy, para assumir o "negócio" de Maduro.
Ou seria algo parecido com uma sucessão na "boca de fumo"? Quando duas organizações criminosas estabelecem um acordo entre si? Olha o modelo brasileiro aí, fazendo escola.
Seria hora de nomear Fernandinho Beira-mar como represente brasileiro na OEA (Organização dos Estados Americanos)?
Nunca embaixadas e organizações multilaterais se pareceram tanto com casas de tolerância. E nunca seus membros e governantes se assemelharam, desse modo, a cafetinas e cafetões. Os prostituídos seriam os de sempre. Nós mesmos.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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