Ordem do Dia 04/03/26
Marco Antônio Andere Teixeira faz uma breve análise sobre fatos do dia
A clássica frase, atribuída a Carl von Clausewitz, autor de "Da guerra", parece absolutamente precisa para definir o atual conflito no Oriente Médio: "a guerra é a continuação da política por outros meios".
Esse talentoso general prussiano, literato, discípulo de Kant, fez escola. Com a ajuda de sua mulher, uma intelectual com boa formação, teorizou sobre a guerra, de modo definitivo. Tornou-se referência.
Deveras.
Foi o que ocorreu sem maiores delongas, no caso do atual ataque ao Irã. Conforme disse Clausewitz. Passaram da mesa de negociações às hostilidades aparentemente sem aviso, declaração, ultimato ou equivalente.
Quando o Japão assim agiu contra os EUA, atacando Pearl Harbor, a atitude foi classificada de "infame", pelo presidente Roosevelt, em pronunciamento histórico. O que diria Roosevelt diante desse fato presente?
Entretanto uma coisa é certa: por outro lado, quem se atreveria, aqui no Ocidente, a defender o regime iraniano? Ou mesmo o regime venezuelano, também alvo do delirante Trump?
Se os métodos do bufão alaranjado, que no momento reside na Casa Branca, ferem a diplomacia e o Direito internacional, seus alvos seriam ainda piores.
Pois conspurcaram princípios básicos que conduzem a civilização humana. Khamenei e Maduro são pessoas que barbarizaram, anos a fio, seu próprio povo, de modo cruel e covarde. Nessa medida, temos um impasse. Qual lado tomar?
Nenhum lado parece confortável. Apoiar Trump pode significar se alinhar a um método que poderia nos prejudicar, no futuro. Assim como já nos prejudicou, no passado.
Trump já atacou covardemente o Brasil, decretando tarifas insensatas, consideradas ilegais pela própria Suprema Corte dos EUA.
O que o impediria de repetir a dose, desta feita com sanções de outra ordem, se incentivado e apoiado em suas maneiras? Alguém arrisca um palpite?
O "sócio" de Trump nessa aventura, Netanyahu, por sua vez, não passa de um notório assassino de mulheres e crianças palestinas, aos milhares. No que seria pessoalmente melhor que os líderes do Irã?
A defesa de Khamenei, ou mesmo Maduro, por sua vez, ainda que teoricamente possível, nos coloca a favor de monstros sem alma. Que violaram a vida e os direitos de milhões de indefesos.
Khamenei parece ainda pior: pois dedicou um ódio peculiar contra as mulheres. Submetendo-as a violências incompreensíveis.
Felizmente, esta coluna, se emite opiniões, não é foro de julgamentos. Tentar sentenciar semelhante imbróglio parece impossível.
Pois as vítimas parecem tão ruins, ou mesmo piores, que seus agressores.
São parecidos de diferentes maneiras. Talvez, simplesmente, devessem ser enviados para o mesmo lugar.
* Marco Antônio Andere Teixeira é historiador, advogado, cientista político (UFMG), pós-graduado em Controle Externo (TCEMG/PUC-MG), Direito Administrativo (UFMG) e Ciência Política (UFMG). E-mail: marcoandere.priusgestao@gmail.com
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