ONG critica emendas propostas para compensar charreteiros
Entidade estima que gastos podem passar de R$ 1 milhão
Poços de Caldas (MG) - A luta pelo fim das charretes movidas a cavalos em Poços de Caldas enfrenta um novo e controverso capítulo.
Emendas apresentadas ao projeto de lei 18/2025 podem levar o município a gastar mais de R$ 1,2 milhão em compensações e auxílios, além de adiar a proibição da tração animal para 2026.
A ONG Os Animais Importam, principal voz em defesa dos cavalos na cidade, manifestou repúdio veemente, classificando as propostas como um "grave retrocesso" e um "desvio alarmante" de recursos públicos.
As emendas têm gerado grande indignação entre os defensores dos direitos animais. Segundo a ONG, as benesses aos charreteiros podem ultrapassar R$ 1 milhão.
Adiamento
As propostas de Douglas Dofu (União), assinadas por outros 13 vereadores, preveem o adiamento da proibição da circulação de charretes com tração animal para 2026, a ampliação das compensações financeiras e a legalização de rodeios e cavalgadas.
A ONG alerta que esse adiamento significa "mais um ano de sofrimento" para os cavalos, submetidos a exploração diária, calor, excesso de carga, acidentes e estresse urbano.
O impacto orçamentário das emendas de Dofu é estimado em mais de R$ 620 mil, sem indicação da fonte de despesa. Leandro Ferro, diretor da ONG, criticou a postura dos vereadores.
"Além de não apresentar nada que beneficie os animais, os vereadores conseguiram piorar um projeto que já ficava muito a desejar pelo prazo e pela completa ausência de um destino digno aos animais. Enquanto o Legislativo posterga decisões em benefício de interesses eleitorais, os animais continuam sendo vítimas de exploração diária", lamentou.
"Bolsa maus-tratos"
A situação se agravou com uma nova emenda proposta pelo vereador Diney Lenon (PT), que eleva o valor da indenização para R$ 30 mil por charreteiro, totalizando aproximadamente R$ 930 mil para 31 charreteiros.
Além disso, a proposta cria um auxílio mensal de R$ 600 por cavalo durante 12 meses para condutores que optarem por manter os animais.
A ONG batizou essa medida de "bolsa maus-tratos" e calcula que custaria mais R$ 280,8 mil, elevando o total da despesa pública para R$ 1.210.800,00.
Os cálculos foram baseados em documentos da Ação Civil Pública, que aponta a existência de 31 charreteiros e 39 animais.
A ONG "Os Animais Importam" reitera que há laudos técnicos e legislação protetiva suficientes para encerrar definitivamente o uso de tração animal na cidade. Para a entidade, o que falta é "vontade política" por parte dos gestores.
Qual é a sua reação?


