Longlegs cria labirinto do medo em um dos melhores suspenses dos últimos anos

O filme surge como uma obra de suspense psicológico que, apesar de flertar com o terror, se aprofunda nos meandros da mente humana

Set 8, 2025 - 18:42
Set 8, 2025 - 18:47
Longlegs cria labirinto do medo em um  dos melhores suspenses dos últimos anos
Nicolas Cage retorna às telas em uma de suas atuações mais perturbadoras no suspense psicológico

O mundo do cinema é, por vezes, um local de contrastes e surpresas, e o filme “Longlegs - Vínculo Mortal” (2024), disponível no catálogo do Amazon Prime, é uma prova disso. 

O filme, dirigido por Oz Perkins, surge como uma obra de suspense psicológico que, apesar de flertar com o terror, se aprofunda nos meandros da mente humana, entregando uma experiência de arrepiar, mas não apenas pelo susto fácil. 

A trama, que segue a agente do FBI Lee Harker (Maika Monroe) em uma busca implacável por um serial killer, inicialmente parece seguir a cartilha do gênero, com uma atmosfera densa e cenas perturbadoras. No entanto, é a construção do suspense, a manipulação da narrativa e a exploração do medo que realmente se destacam. 

Em vez de apelar para o terror de jump scare, que apenas tenta surpreender o espectador com um rosto ou objeto assustador, o filme cria uma sensação de incômodo e tensão constantes, transformando o silêncio e o desconhecido em seus maiores vilões.

O renascimento de um ator?
A atuação de Nicolas Cage, frequentemente alvo de críticas nos últimos tempos por sua participação em filmes de gosto duvidoso, é um dos pontos altos da produção. 

Conhecido por atuações exageradas e até caricatas em trabalhos recentes, Cage entrega uma performance assustadora e, ao mesmo tempo, contida. 

Sua presença em tela é magnética, e cada gesto, cada olhar, contribui para a aura de terror do personagem-título. 

O filme acerta ao entregar ao ator um papel que exige mais do que apenas trejeitos e gritos. Em “Longlegs”, Cage se mostra um ator capaz de explorar a profundidade de um personagem complexo e perturbador. 

É um lembrete do talento que o levou a um Oscar no passado (Despedida em Las Vegas, 1996), mostrando que, com o roteiro certo, ele ainda tem muito a entregar.

Um mergulho no psicológico
Embora o filme tenha pontos a seu favor, como a atmosfera opressiva e a atuação de destaque de seu elenco, ele também tem seus momentos de tropeço. 

A trama, por vezes, pode se tornar confusa, e a necessidade de explicar demais alguns dos elementos sobrenaturais no final pode prejudicar a ambiguidade que o filme constrói tão bem. 

Outro ponto é que o título original, simples e enigmático, faz referência ao apelido do serial killer que a agente Lee Harker persegue. No entanto, a escolha do título em português, que acresce ao apelido do assassino uma outra menção, poderia estragar a surpresa para o público brasileiro. 

Apesar dessas pequenas falhas, "Longlegs" se estabelece como um dos filmes mais interessantes no gênero sus-pense nos últimos anos. 

Ele não é apenas um filme de terror, mas sim um estudo de personagem, que explora o medo do desconhecido e a escuridão que se esconde na mente humana. É uma experiência que, para o bem ou para o mal, fica na memória por muito tempo.

* João Gabriel Pinheiro Chagas é diretor do Jornal da Cidade 

 

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