Educar para incluir: o papel da educação no orgulho LGBTQIAPN+
A Educação surge como um dos caminhos mais potentes para promover respeito, inclusão e transformação social
A luta contra a homofobia e a intolerância de gênero ainda é urgente em nossa sociedade. O dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, convida à celebração, à visibilidade e, sobretudo, à reflexão sobre os desafios enfrentados por essa comunidade.
Nesse contexto, a Educação surge como um dos caminhos mais potentes para promover respeito, inclusão e transformação social.
Através das instituições de ensino, é possível dar mais voz e visibilidade à diversidade e, a partir disto, possibilitar o caminho do orgulho em detrimento da vergonha.
E aqui se encontra um dos cernes da comemoração do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+: seguir na direção avessa à vergonha, ou seja, orgulhar-se de ser quem se é.
Ao promover este tipo de debate no âmbito da Educação, contribui-se diretamente para a redução da discriminação e da violência motivadas por preconceitos de gênero e orientação sexual.
As instituições de Ensino Superior podem ampliar esse compromisso ao incluir temas que abordem gênero e sexualidade em suas grades curriculares, desenvolver pesquisas, projetos de extensão e campanhas de conscientização voltadas à inclusão.
Dito de outro modo, as instituições de ensino têm, por responsabilidade social e política, meios para viabilizar discursos e práticas que legitimem diferentes formas de existir e de amar.
Assim, trilha-se o caminho para que a comunidade LGBTQIAPN+ pertença de maneira integrada, não apenas pelas margens, mas também no centro da sociedade.
Como educadores, temos o dever de criar espaços em que todas as identidades possam florescer, onde o conhecimento liberta, as vozes são ouvidas e a diferença é vista, não ignorada ou violentada.
Afinal, concordamos com bell hooks ao indicar que “a educação como prática da liberdade, como forma de ensinar estudantes a transgredir os limites raciais, sexistas e de classe, é o meio mais apropriado para preparar os estudantes a lidar com as forças do racismo, do sexismo e da opressão de classe.”
Transgredir, nesse contexto, significa questionar estigmas, estereótipos e preconceitos ou, como diz Audre Lorde: é preciso transformar o silêncio em linguagem e ação.
No que diz respeito às identidades de gênero e orientação sexual, podemos transgredir o silêncio e pôr linguagem e ação em intervenções simplórias e revolucionárias, como: Que autores lemos? Que músicas ouvimos? Que histórias contamos? Que família admiramos? Quem são os protagonistas das histórias que lemos? Quais os dramas e desafios sociais dos personagens de filmes, séries e novelas?
Para responder a essas perguntas, a formação de educadores deve incluir discussões sobre gênero, sexualidade, identidade e direitos humanos.
É fundamental que haja letramento dos professores em relação ao tema, ampliando repertório e vocabulário.
Não se trata apenas de transmitir conteúdos, mas de desenvolver sensibilidade e competência para lidar com as diversas existências que chegam à sala de aula e espelham a realidade social.
Em todos os níveis da Educação Básica, e em concordância com a BNCC, podemos abordar o respeito às diferenças e a empatia.
Na Educação Infantil, histórias com diferentes tipos de família (duas mães, dois pais, família solo) e liberdade nas brincadeiras ajudam a formar cidadãos cooperativos, não discriminatórios.
No ensino fundamental e médio, é possível expandir o debate com leitura de textos com personagens que rompem padrões, aulas de ciências e história com abordagem crítica dos papéis de gênero, rodas de conversa, oficinas e uso de filmes, séries e notícias que dialoguem com os interesses dos estudantes.
Ao adotar práticas e políticas inclusivas, a educação torna-se uma das principais ferramentas contra a intolerância e pela dignidade de todas as pessoas.
O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ é uma convocação para reforçarmos valores que devem nos guiar o ano todo, transgredindo silêncios, dialogando com diferentes vozes, apresentando personagens diversos e agindo com espaço e orgulho de ser quem se é.
*Nislândia Evangelista é psicóloga, terapeuta de crianças, adolescentes e adultos, mestre em Educação e professora do curso de Psicologia da UNIASSELVI
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