Editorial 30/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Declarações polêmicas que só prejudicam a imagem da gestão
A função de um vice-prefeito, em sua essência constitucional e política, deveria ser a de somar esforços, articular consensos e buscar o equilíbrio institucional.
Em Poços de Caldas, no entanto, o atual ocupante do cargo, Eduardo Januzzi (Novo), parece ter optado por um caminho diametralmente oposto: o da retórica inflamada que fragmenta o diálogo, desrespeita ritos democráticos e fragiliza a imagem do Executivo perante setores importantes da sociedade civil poços-caldense.
As recentes declarações de Januzzi, em entrevista à Rádio Onda Poços, nas quais classificou o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv) como um "órgão político que quer fazer baderna", não representam um episódio isolado.
Pelo contrário, configuram um padrão de comportamento que substitui o debate de ideias pelo ataque pessoal e a desqualificação institucional.
Ao rotular a representação legítima dos trabalhadores de forma pejorativa, o vice-prefeito não apenas fecha as portas para um diálogo necessário, mas também tenta desviar o foco de problemas estruturais urgentes que assolam a administração.
É claro que uma declaração desta natureza não ficaria sem resposta. O vereador Tiago Mafra (PT) reagiu ontem, dizendo que a verdadeira "baderna" reside na precariedade de serviços essenciais.
A situação da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Santa Ângela, que há cinco anos sofre com a falta de equipe e estrutura adequadas, é o exemplo de uma desordem administrativa que não se resolve com polêmicas na imprensa, mas com planejamento e respeito ao funcionalismo.
Atacar quem cobra soluções é uma estratégia de defesa frágil que expõe a incapacidade de lidar com o contraditório.
Esse histórico de hostilidades já não é novidade. Em outubro passado, a Câmara aprovou, por ampla maioria, uma Moção de Repúdio contra o vice-prefeito após ataques proferidos contra o promotor Glaucir Antunes Modesto e o juiz Edmundo José Lavinas Jardim.
Na ocasião, ao classificar decisões judiciais como "perseguição", Januzzi demonstrou um perigoso desconhecimento - ou desprezo - pelo princípio da harmonia entre os Poderes.
Instituições democráticas e seus agentes não são imunes a críticas, mas o tom de "teoria da conspiração" e desrespeito adotado pelo vice-prefeito fere o decoro que o cargo exige.
Problemas na saúde, gargalos na infraestrutura e a necessidade de valorização do servidor público não serão resolvidos através do embate gratuito. É hora de trocar a "baderna" do discurso pela ordem da eficiência.
Qual é a sua reação?




