Editorial 28/03/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O sonho da habitação social em Poços de Caldas perto da realidade
A Prefeitura apresentou, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, os detalhes técnicos e o cronograma para a construção de 256 unidades habitacionais nos bairros São Sebastião e Vila Matilde.
O projeto faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida, com recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), e utiliza terrenos doados pelo município.
A resposta ao requerimento do vereador Marcus Togi (Republicanos) expõe a estrutura do certame e as responsabilidades das empresas envolvidas, mas também introduz um elemento que exige atenção rigorosa dos órgãos de controle: a definição do vencedor por meio de sorteio.
Quatro empresas foram habilitadas para a disputa. Após o julgamento dos recursos, o governo municipal optou por não utilizar critérios de maior desconto ou técnica para o desempate final, delegando a escolha à sorte.
Embora o sorteio seja um mecanismo previsto em situações de igualdade absoluta de condições após recursos, a administração pública deve garantir que a data e as regras dessa etapa ocorram com publicidade total.
A previsão é que a empresa seja conhecida na primeira quinzena de abril. O impacto financeiro para as famílias beneficiárias é o ponto central da função social do projeto.
Com a doação das áreas pela Prefeitura - uma de 24.924 m² no São Sebastião e outra de 2.944 m² na Vila Matilde -, o valor da terra é retirado do cálculo das parcelas.
Para famílias com renda de até R$ 2.850,00, o custo mensal deve variar entre R$ 80 e R$ 270. Há ainda a isenção integral para benefi-ciários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Entretanto, a gratuidade ou o subsídio elevado para o cidadão não desonera a Prefeitura da fiscalização sobre a qualidade da obra. As unidades terão 44,50 m² em prédios verticais.
A empresa escolhida terá de arcar com toda a infra-estrutura interna, desde terraplanagem e pavimentação até redes de água, esgoto e iluminação.
Cabe à Secretaria de Obras assegurar que o baixo custo das prestações para o mutuário não resulte em economia de materiais ou execução precária por parte da construtora.
O Executivo afirma que os terrenos possuem "natureza superior" e contam com equipamentos públicos próximos, como creches e unidades de saúde.
A ocupação dessas áreas com 256 novas famílias pressionará esses serviços já existentes. O planejamento urbano deve, portanto, acompanhar a entrega das chaves para que a dignidade prometida no papel se confirme na prática cotidiana dos bairros.
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