Editorial 22/01/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Os desafios financeiros do transporte coletivo em Poços de Caldas
O transporte público em Poços de Caldas atravessa mais um momento crítico, e a recente aprovação do subsídio municipal de R$ 15 milhões surge como uma tentativa de estabilizar o sistema.
Ao viabilizarem o aporte e garantirem a manutenção da tarifa em R$ 5, a Câmara e a Prefeitura agiram para conter um colapso que a concessionária Floramar já sinalizava como iminente.
A complexidade do cenário é profunda. O transporte coletivo local enfrenta uma "tempestade perfeita": de um lado, os custos operacionais (diesel, pneus e salários) não param de subir; do outro, a receita despencou.
O dado é alarmante: atualmente, são 553 mil passageiros pagantes por mês, uma redução de quase 19% em relação a 2022, quando o número era de 681 mil.
A mudança de hábitos, o home office e a ascensão dos aplicativos de transporte atingiram em cheio a demanda, deixando o sistema sobrecarregado pelas gratuidades - que hoje representam cerca de um terço dos usuários.
Ou seja, 36% dos passageiros não pagam e, como o poder público não arcava com essa despesa, o custo acabava repassado aos demais usuários.
O subsídio, embora questionado sob o prisma da legalidade por alguns setores, apresenta-se como o único caminho viável para evitar que a conta continue caindo integralmente no bolso do trabalhador.
Sem esse aporte, a tarifa poderia disparar para níveis proibitivos - a concessionária mencionava valores na casa de R$ 8,20 -, o que afastaria ainda mais passageiros.
Vale lembrar que na campanha eleitoral de 2024, o subsídio foi minimizado pelo prefeito eleito, que sugeriu que tal investimento não seria prioridade em sua gestão.
No entanto, diante do risco real de uma explosão no preço da passagem, foi necessário rever essa posição.
O recurso, limitado a R$ 15 milhões pelo período de 12 meses, será financiado pela realocação de verbas orçamentárias existentes, sem aumento de impostos, o que sinaliza que a implementação dependia, primordialmente, de vontade política.
Agora, com o novo pleito da concessionária encaminhado à Câmara por um subsídio permanente, a Prefeitura precisará se posicionar novamente.
O transporte é um direito social tão importante quanto a saúde e a educação, e sua sustentabilidade exige transparência e eficiência.
O subsídio parcial alivia a situação momentaneamente, mas a solução definitiva exigirá repensar todo o modelo de mobilidade urbana da cidade.
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