Editorial 18/03/26
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
O alto custo da falta de representação local em BH e Brasília
As viagens frequentes do prefeito Paulo Ney (PSD) a Belo Horizonte e Brasília, em busca de verbas e apoio para o município, expõem uma lacuna na estrutura política de Poços de Caldas que se acentuou nos últimos anos.
A agenda oficial realizada na semana passada na capital federal, por exemplo, resultou na captação de R$ 5,2 milhões para a saúde.
Esses montantes provêm de parlamentares como Lafayette de Andrada, Emidinho Madeira, Aécio Neves e do senador Carlos Viana.
Embora o aporte financeiro seja vital para a manutenção de hospitais como a Santa Casa e o Santa Lúcia, o método de obtenção desses valores revela a dependência do Executivo municipal em relação a políticos sem vínculo direto com a cidade.
A ausência de um deputado federal ou estadual que tenha Poços de Caldas como sua principal base eleitoral obriga a Prefeitura a atuar como articuladora parlamentar - uma tarefa que consome tempo e recursos públicos com deslocamentos que seriam evitados caso houvesse representação própria no Legislativo.
Atualmente, o município atua de forma reativa, apresentando demandas a políticos que conquistam votos na região, mas que dividem sua atenção e emendas com dezenas de outras prefeituras mineiras.
O fenômeno do voto em candidatos "forasteiros" tem consequências práticas na eficiência administrativa. Em 2022, por exemplo, o deputado Nikolas Ferreira (PL) obteve cerca de 13 mil votos na cidade; contudo, até o momento, não houve registro de benefícios diretos ou verbas destinadas por ele ao município.
Esse cenário ilustra como a transferência de capital político para figuras de projeção nacional, sem compromisso regional, deixa a cidade desassistida de dotações orçamentárias específicas.
Além disso, a falta de um representante local prejudica a fiscalização e a continuidade de projetos de longo prazo.
Quando o recurso provém de um parlamentar distante, a divulgação da origem da verba costuma ser insuficiente, dificultando o controle social.
A população até usufrui do investimento, mas raramente identifica o agente responsável, o que perpetua o ciclo de votações baseadas em afinidades ideológicas em detrimento de resultados práticos para a infraestrutura local.
Em ano eleitoral, o cenário reforça a urgência de uma análise criteriosa sobre o perfil dos candidatos. A eleição é a oportunidade para o eleitorado priorizar nomes com raízes na cidade, reduzindo a necessidade de constantes romarias em busca de recursos básicos.
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