Editorial 17/12/25
Confira a opinião de hoje do Jornal da Cidade
Câmara precisa atualizar seu ordenamento sobre conflito de interesses
A Câmara Municipal protagonizou ontem, 16, um momento de rara e crucial importância para seu ordenamento interno, evidenciando uma lacuna que precisa ser urgentemente corrigida: a falta de previsão clara para o conflito de interesse no voto dos vereadores.
A reviravolta na votação de uma Moção de Apelo sobre os controversos projetos de mineração de terras raras, inicialmente rejeitada, demonstrou a necessidade de aprimorar a ética parlamentar no âmbito legislativo.
O vereador Marcus Togni (Republicanos), apesar da recomendação do presidente Douglas Dofu (União), manteve seu voto, garantindo a derrota da Moção em um primeiro momento.
Contudo, sua relação familiar com um dos projetos de mineração levantou uma questão de ordem que, após consulta interna, culminou no cancelamento de seu voto por suspeição.
Essa medida, de certa forma incomum, inverteu o placar e garantiu a aprovação da Moção, decidida pelo "voto de Minerva" do presidente.
Alertado por outros vereadores, Douglas Dofu soube conduzir a situação diante da escalada das tensões no plenário.
Vale ressaltar que a doutrina no Direito Processual já prevê a suspeição de juízes e promotores em casos semelhantes, medida que agora, por analogia e necessidade, se impõe na esfera legislativa municipal.
O episódio não chega a ser totalmente inédito, pois nesta mesma legislatura, o próprio presidente da Câmara lembrou de colegas que se abstiveram de votar em situações que poderiam configurar a suspeição.
No entanto, nenhuma se compara ao nível de conflito de interesse que se viu na votação da Moção sobre a mineração de terras raras.
Agora, é imperativo que a Câmara altere seu Regimento Interno para fechar o cerco contra a votação em que ocorra situações desta natureza.
O episódio ocorrido na sessão extraordinária de ontem acaba por escrever um novo capítulo na história da Casa de Leis.
A população espera que seus representantes atuem exclusivamente em nome do interesse público, sem sombra de ganhos ou vantagens privadas, garantindo a lisura do processo legislativo.
Qual é a sua reação?




